Colômbia: Petro promete a Lula transição pacífica de poder – 09/07/2026 – Mundo

Colômbia: Petro promete a Lula transição pacífica de poder -


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta quinta-feira (9) com seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, que, segundo o Palácio do Planalto, manifestou compromisso com uma transição pacífica de poder, dias após afirmar que não reconhecia o resultado da eleição presidencial em seu país.

Petro apoiou a candidatura de Iván Cepeda, o candidato derrotado no segundo turno. A missão de observação da União Europeia avaliou que o pleito foi “transparente e bem organizado”, além de ter sido “amparado por sólidas instituições democráticas”.

As declarações de Petro sobre irregularidades, sem apresentar quaisquer provas, aprofundaram a crise política no país. O presidente eleito, o direitista Abelardo de la Espriella, suspendeu as reuniões técnicas da equipe de transição em resposta ao que classificou de tentativa de golpe de Estado.

Petro convocou a população para manifestações em 20 de julho. Ele afirmou que o ato irá celebrar a independência do país em “todas as praças públicas”.

O governo brasileiro, por sua vez, está preocupado com a desestabilização da região e defende que haja uma transição normal de poder.

Em nota, o Palácio do Planalto escreveu que, durante a ligação, Petro indicou que deixará o cargo em 6 de agosto —portanto, no último dia de seu mandato. O colombiano reafirmou, ainda segundo o governo, “seu compromisso com a democracia e com uma transição pacífica no país”.

“O presidente do Brasil agradeceu ao presidente da Colômbia pela amizade e pela cooperação com o Brasil e com o povo brasileiro. Ao longo de seu mandato, Petro sempre demonstrou firme compromisso com a integração regional e com o enfrentamento dos desafios comuns da América do Sul”, escreveu o Planalto na nota.

“O presidente Lula destacou, ainda, a determinação inabalável de Petro em promover a sustentabilidade ambiental, a preservação da Amazônia, além do incansável engajamento do presidente colombiano no enfrentamento ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.”

Lula reconheceu a vitória de Espriella. O pleito marcou a entrada do país vizinho na onda de ultradireita inspirada no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Petro foi o primeiro governo de esquerda da história moderna colombiana.

Após as vitórias de Rodrigo Paz na Bolívia, em outubro, e de José Antonio Kast, no Chile, em dezembro, a Colômbia era o principal aliado do Brasil na região. Além de Petro, há políticos de esquerda no Suriname e na Guiana, países pouco relevantes na política externa brasileira; na Venezuela, que enfrenta seus próprios problemas internos após anos de ditadura e, mais recentemente, de uma intervenção americana e de terremotos que mataram milhares; e no Uruguai.

Em nota publicada nas redes sociais após Espirella ter sido declarado vencedor, Lula escreveu que a relação entre o Brasil e a Colômbia “transcende ideologias” e é fundamental para enfrentar desafios comuns entre os dois países, incluindo a preservação da Amazônia e o combate ao crime organizado.

Na última terça (7), o futuro vice-presidente, José Manuel Restrepo, afirmou ao jornal El Tiempo que a equipe de Espriella voltará ao processo de transição quando Petro reconhecer a vitória do ultradireitista. O governo, no entanto, não parecia disposto a isso.

Após uma reunião na Casa de Nariño nesta semana, o partido do atual presidente e de Cepeda, o Pacto Histórico, decidiu insistir no discurso de irregularidades na eleição e sinalizou a intenção de apresentar uma ação para tentar anular o pleito.



Fonte CNN BRASIL

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