
No Oriente Médio, vários países ponderam projetos ambiciosos de energia nuclear, equilibrando a promessa de eletricidade a baixo custo com desafios complexos. Essas barreiras estão ligadas à segurança regional, às condições climáticas e à cooperação internacional.
A energia nuclear representa uma “enorme oportunidade” para os países interessados. A afirmação é de Shota Kamishima, responsável da Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea.
A crise energética global e o aumento da procura de eletricidade vieram impulsionar a popularidade da energia nuclear enquanto fonte de energia limpa e resiliente, associada a um reduzido custo de operação.
Atualmente, estima-se que 416 reatores nucleares em 31 países fornecem cerca de 10% da eletricidade mundial. Ao mesmo tempo, cerca de 60 países analisam a introdução da energia nuclear na sua rede doméstica.
A lista inclui Egipto, que se demonstra favorável à conciliação da energia nuclear com fontes renováveis na construção de um sistema energético estável e eficiente.
Além do Parque Solar de Benban e do Parque Eólico do Golfo de Suez, o país árabe deve concluir a central nuclear de El Dabaa. A projeção de uma capacidade total instalada de 4,8 gigawatts corresponde a um valor próximo de toda a capacidade solar fotovoltaica instalada em Portugal em 2024.
A procura de energia na região triplicou entre 2000 e 2024. Já as necessidades de dessalinização e refrigeração reforçam a urgência de fontes de energia estáveis na região, destaca, Almuntaser Albalawi, investigador do Instituto das Nações Unidas para a Investigação sobre o Desarmamento, Unidir.
Zia Mian, codiretor do Programa de Ciência e Segurança Global da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, realça os desafios da instabilidade política no desenvolvimento da energia nuclear na região, bem como os impactos das alterações climáticas.
O Oriente Médio está a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global. Neste contexto, o aquecimento de até cinco graus Celsius até ao final do século comprometeria diretamente o funcionamento das centrais nucleares na região, indica o investigador.
Neste sentido, Mian alude aos altos custos da construção de infraestruturas nucleares face a estruturas mais acessíveis associadas à energia solar ou eólica. O investigador reforça a aposta nas energias renováveis na região: “Em termos de benefícios climáticos por cada dólar investido, as duas opções simplesmente não são comparáveis”, conclui.
O debate sobre o desenvolvimento da energia nuclear ganhou relevância na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2023, que incluiu esta fonte energética entre o grupo de tecnologias de baixas emissões cuja promoção deve ser acelerada.
*Texto baseado na reportagem de Liling Huang
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