Destroços de avião perdido no mar há 74 anos são achados – 22/07/2026 – Mundo

Destroços de avião perdido no mar há 74 anos são


O voo durou menos de nove minutos, com os dois motores da direita perdendo potência em rápida sucessão enquanto a aeronave Douglas DC-4 fazia sua subida inicial saindo de San Juan, em Porto Rico, com destino a Nova York.

O piloto do Pan American Clipper Endeavor não teve escolha senão fazer um pouso forçado no mar. Todos os 69 passageiros e tripulantes sobreviveram ao impacto inicial em 11 de abril de 1952, mas o pânico e a confusão tomaram conta nos preciosos minutos após a amerissagem (pouso na água).

A seção da cauda do avião se desprendeu e a fuselagem afundou, um acidente que provocou 52 mortes e se tornou um catalisador para instruções e procedimentos de segurança em companhias aéreas por gerações.

Por quase 75 anos, os destroços, que têm tamanho semelhante ao de um Boeing 737, estiveram perdidos no oceano Atlântico.

Mas no dia 2 de junho, após vasculhar uma extensão escura do fundo do mar com um veículo submarino autônomo, que se assemelha a um torpedo e é equipado com sonar sofisticado e câmeras, os destroços foram enfim descobertos, segundo uma equipe de exploração.

Lá, a 600 metros abaixo da superfície e a cerca de 8 quilômetros da costa, letras brancas formavam PAA contra um fundo azul do logotipo do globo alado da Pan American World Airways.

Eles também conseguiram distinguir as letras VOR em “Endeavor”. O restante da palavra estava coberto por detritos.

“Quando as primeiras fotos chegaram, foi um choque”, disse Josh Gates, apresentador do programa “Expedition Unknown” no Discovery Channel, que participou do projeto, em entrevista. “Fiquei sem fôlego porque estava realmente além do que eu imaginava que poderíamos ver. A aeronave está tão intacta, e ver aquele alumínio, que não corrói, brilhando para nós do fundo foi simplesmente impressionante.”

O voo 526A da Pan Am, apelidado de “Especial de Páscoa”, estava indo para o Aeroporto Idlewild de Nova York (atual Aeroporto Internacional John F. Kennedy) na Sexta-feira Santa quando 2 de seus 4 motores falharam, de acordo com o depoimento do piloto perante um conselho de aeronáutica civil. O piloto, John Burn, retornou em direção a San Juan, mas o avião estava perdendo altitude rapidamente sobre o oceano, forçando a tripulação a despejar combustível e tentar um pouso de emergência na água.

Muitos passageiros se recusaram a seguir as ordens do capitão para abandonar a aeronave após ela pousar na água, permanecendo com os cintos afivelados em seus assentos, disse o piloto ao conselho, acrescentando que havia jogado algumas pessoas à força na água.

Uma barreira linguística também dificultou que todos fossem retirados do avião, segundo relatos históricos de sobreviventes, que disseram que o mar agitado e a ameaça de tubarões na água levaram alguns passageiros a permanecer dentro da cabine. Muitas das vítimas morreram afogadas.

Instruções de segurança antes da decolagem e do pouso ainda não eram obrigatórias na época do acidente, que se tornou um impulso para novas orientações sobre o que os passageiros deveriam fazer em caso de emergência.

“É um acidente que reformulou fundamentalmente a aviação como a conhecemos”, disse Gates.

Encontrar os destroços do Clipper Endeavor havia se tornado uma obsessão nos últimos sete anos para Russ Matthews, presidente e cofundador da organização sem fins lucrativos Air/Sea Heritage Foundation, que desempenhou um papel central no projeto.

Em entrevista, Matthews disse que a água onde o avião afundou era profunda demais para mergulhadores alcançarem os destroços.

O mau tempo aumentou o desafio, segundo Matthews, que disse que a pandemia de Covid-19 havia atrasado a busca. “Tivemos que esperar alguns anos para ter nossa chance”, disse ele.

Há poucos meses, Matthews soube que o Fugro Brasilis, um navio de pesquisa, passaria pela área de 26 quilômetros quadrados que era o foco da busca pelo Clipper Endeavor.

A bordo da embarcação estava um veículo submarino autônomo, chamado Miss Millie, que custa de US$ 10 milhões a US$ 12 milhões. A sonda em formato de torpedo pode alcançar profundidades de 6.000 metros.

Matthews correu para o navio, junto com Gates, que assistiu enquanto a sonda era baixada de uma plataforma na popa do navio para a água. Discos rígidos estão alojados dentro de um contêiner à prova de esmagamento dentro do veículo, que realizou uma série de quase 30 passagens sobre a área de busca.

“Passamos diretamente sobre um naufrágio que ninguém sabia que estava lá”, disse Matthews. “E foi tipo, bem, isso é interessante, mas estamos procurando um avião, então vamos continuar.”

Na 13ª passagem, algo mais chamou a atenção deles: parecia a seção da cauda de um avião. A algumas centenas de metros dali parecia haver uma fuselagem, justificando uma inspeção mais detalhada de fotos em alta resolução dos destroços.

O trem de pouso estava visível. Assim como as janelas da cabine principal.

“É uma forma de conectar o presente ao passado”, disse Matthews. “É o mais perto que chegarei de viajar no tempo.”

O grupo no navio ligou para Tony Romeo, CEO da Eco Minerals, uma empresa de exploração envolvida no projeto, para relatar a descoberta. “Fiquei muito feliz”, disse Romeo, para quem a conexão com a Pan Am tinha um significado especial. “Meu pai foi piloto da Pan Am.”

Mais de 350 mil fotografias foram tiradas dos destroços, que não foram perturbados, segundo a equipe de exploração, que disse não haver planos de recuperar quaisquer restos mortais do local. Trinta e nove corpos nunca foram recuperados, afirmam. “Essa é a única lápide que eles provavelmente terão”, disse Matthews.



Fonte CNN BRASIL

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