Autoridades federais não tinham motivos para impedir o comício de um grupo supremacista branco no 4 de Julho em Washington por causa das proteções à liberdade de expressão, disse o secretário do Interior americano, Doug Burgum, neste domingo (5).
Centenas de membros mascarados do Patriot Front que marcharam pela capital dos EUA no Dia da Independência, no sábado (4), não fizeram nada ilegal, afirmou também Burgum ao programa “State of the Union” da CNN.
Embora a ideologia supremacista branca e anti-imigrante da organização seja “algo com o qual eu jamais poderia concordar”, disse o secretário, ela é protegida pela liberdade de expressão, mesmo que isso “torne a democracia confusa”.
Manifestantes no National Mall de Washington que criticam o presidente Donald Trump têm os mesmos direitos, “e ainda assim são autorizados a continuar por causa da liberdade de expressão em nosso país”, declarou ainda Burgum.
O próprio Patriot Front tem criticado a democracia. Um manifesto no site do grupo diz que “a democracia falhou com esta nação outrora grandiosa” e que um “reinício completo” é necessário para “retornar às tradições e virtudes de nossos antepassados”, identificando-os como colonizadores europeus.
Os membros do Patriot Front marcharam ao som de tambores perto do Capitólio e da Union Station, antes de pegarem trens para um subúrbio do distrito de Columbia.
Burgum se recusou a dizer se condenava o Patriot Front ou se recomendaria que Trump o repreendesse. Ele minimizou a marcha do grupo como uma aberração entre os eventos do 4 de Julho que comemoravam o aniversário de 250 anos do país.
O membro do gabinete também falou sobre as obras de renovação da administração Trump em toda Washington. Em entrevista ao programa “This Week” da ABC, Burgum disse que a administração Trump já consertou dezenas de monumentos e fontes em Washington.
“Quando olhamos o contexto, o presidente Trump se propôs a tornar Washington segura e bonita”, disse. “Ele conseguiu.”
Um dos projetos de maior destaque foi uma controversa reforma de US$ 14,7 milhões no espelho d’água do Memorial Lincoln, que apresentou crescimento de algas, descascamento do revestimento e deterioração visível apenas semanas após a conclusão dos trabalhos de reabilitação.
Burgum repetiu as alegações não comprovadas de Trump de que vândalos danificaram o novo revestimento do espelho d’água, usando estiletes para fazer cortes de centenas de metros de comprimento.
A empresa que reformou o espelho d’água sob um contrato sem licitação também cuidará dos reparos “porque fizeram um trabalho fantástico” com a reforma, disse Burgum à CNN.




