Os Estados Unidos disseram que esperam receber ainda nesta sexta-feira (8) uma resposta do Irã à sua mais recente proposta para encerrar a guerra no Oriente Médio. A declaração, dada pelo chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, ocorre em meio a confrontos militares no estreito de Hormuz e novos ataques contra os Emirados Árabes Unidos.
A escalada dos últimos dias é a mais intensa desde o início do cessar-fogo temporário, acordado há um mês, e ocorre justamente quando Washington e Teerã parecem estar mais próximos de um acordo para pôr fim ao conflito.
“Devemos saber de algo hoje”, disse Rubio a jornalistas durante uma viagem a Roma. “Esperamos uma resposta deles. Vamos ver o que isso envolve. A expectativa é que possamos entrar num processo sério de negociação.”
Washington aguarda a resposta de Teerã a uma proposta dos EUA que encerraria formalmente a guerra antes do início de negociações para resolver as questões mais delicadas, como o destino do programa nuclear iraniano.
O presidente Donald Trump afirmou que o cessar-fogo continua valendo apesar da nova onda de violência.
A agência de notícias iraniana Mehr informou que explosões foram ouvidas em Sirik, próximo ao estreito de Hormuz, nesta sexta-feira. O Irã acusou os EUA de violar o cessar-fogo. “Sempre que uma solução diplomática está sobre a mesa, os EUA optam por uma aventura militar irresponsável”, disse o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, nesta sexta, em referência também ao início do conflito.
O ataque que desencadeou a guerra em 28 de fevereiro ocorreu em meio a negociações entre Washington e Teerã, após uma nova rodada para discutir o programa nuclear iraniano ser marcada.
O comando militar iraniano disse que forças americanas atacaram um petroleiro iraniano e outra embarcação, além de realizar bombardeios em áreas civis da ilha Qeshm e de regiões costeiras próximas.
Segundo Teerã, o Irã respondeu atacando navios militares americanos a leste do estreito e ao sul do porto de Chabahar. Os iranianos afirmaram ter causado “danos significativos”, mas o Comando Central dos EUA negou. Horas depois, uma emissora estatal informou que a situação nas ilhas e cidades costeiras iranianas havia “voltado ao normal”.
Os confrontos se espalharam para além do estreito. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que suas defesas aéreas interceptaram dois mísseis balísticos e três drones lançados pelo Irã nesta sexta. Três pessoas ficaram feridas. Desde o início da guerra, o Irã tem atacado repetidamente países da região que abrigam bases militares americanas.
Em mais um incidente na região, forças iranianas apreenderam um petroleiro, o Ocean Koi, no Golfo de Omã, a leste do estreito, informou a mídia estatal nesta sexta-feira, citando um comunicado militar.
Segundo o comunicado, o navio com bandeira de Barbados, alvo de sanções dos EUA, transportava petróleo iraniano e “tentava prejudicar e interromper as exportações”.
A China confirmou nesta sexta que um navio-tanque com tripulação chinesa foi atacado na segunda-feira (5). Segundo Pequim, não houve vítimas. Fontes de segurança marítima afirmam que a embarcação atingida seria o petroleiro JV Innovation, que relatou um incêndio no convés após o ataque, próximo à costa dos Emirados Árabes Unidos.
Trump afirmou na quinta-feira que três destróieres da Marinha foram atacados enquanto atravessavam a via marítima, e que os militares revidaram. “Três destróieres americanos de classe mundial atravessaram com sucesso o estreito de Hormuz sob fogo inimigo. Nenhum dano foi causado aos navios, mas grandes danos foram causados às forças iranianas”, escreveu na rede Truth Social.
Mais tarde, em Washington, o republicano minimizou o episódio. “Eles mexeram conosco hoje. Nós acabamos com eles”, declarou.
TRUMP DEFENDE SOLUÇÃO NEGOCIADA PARA A GUERRA
A mais recente proposta dos EUA encerraria formalmente o conflito antes de abordar as principais exigências de Washington: que o Irã suspenda seu programa nuclear e reabra o estreito.
Trump disse que Teerã reconheceu sua exigência de que o Irã jamais obtenha uma arma nuclear, proibição que, segundo ele, está implícita na proposta dos EUA.
“Não há chance alguma. E eles sabem disso, e concordaram com isso. Vamos ver se estão dispostos a assinar”, afirmou Trump. O Irã sempre declarou que seu programa nuclear é pacífico e que não busca desenvolver armas nucleares.
Questionado sobre quando um acordo poderia ser alcançado, Trump respondeu: “Pode não acontecer, mas pode acontecer a qualquer dia.”




