EUA: Atirador pode ser condenado à prisão perpétua – 27/04/2026 – Mundo

EUA: Atirador pode ser condenado à prisão perpétua - 27/04/2026


O homem que disparou durante um evento em Washington com a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compareceu pela primeira vez diante de um juiz federal, nesta segunda-feira (27), e foi indiciado por tentativa de assassinato. Se considerado culpado, ele poderá ser condenado à prisão perpétua, de acordo com o procurador-geral interino, Todd Blanche.

Em entrevista a jornalistas, Blanche afirmou que Cole Tomas Allen, 31, foi acusado de tentativa de assassinato do presidente americano, crime que pode levar à prisão perpétua, além de transporte de arma com intenção criminosa (pena de até dez anos) e de disparo de arma de fogo durante a prática de um crime violento (cuja punição varia de dez anos de prisão à prisão perpétua).

Allen vestia um macacão azul, comum entre detentos, ao ser levado para o tribunal federal de Washington, segundo a agência de notícias Reuters. “Ele tentou assassinar o presidente dos EUA, Donald J. Trump”, disse a promotora Jocelyn Ballantine durante a audiência.

O atirador, que não se declarou culpado, afirmou que responderia a todas as perguntas com sinceridade. Já o juiz federal Matthew Sharbaugh determinou que ele permanecesse sob custódia enquanto o caso é investigado. Outra audiência foi marcada para a próxima quinta-feira (30).

Em entrevista a jornalistas, o procurador-geral afirmou que “agentes federais não falharam” durante o episódio. A declaração ocorreu após críticas às falhas no esquema de segurança. Segundo relatos de jornalistas, convidados entraram no jantar sem passar por raio-X ou detectores de metal.

Blanche afirmou que os agentes de segurança “fizeram exatamente o que são treinados para fazer”. “Agentes nos protegeram e demonstraram comprometimento com a lei”, disse. Em seguida, detalhou o trajeto do atirador até o local do evento.

Segundo o procurador, Allen deixou a Califórnia em 21 de abril e seguiu de trem até Chicago, onde desembarcou no dia 23. Depois, viajou a Washington, onde chegou no dia 24, data do evento. Ele fez check-in no hotel do jantar às 13h e, às 20h40, aproximou-se correndo da área de segurança com uma arma, momento em que foi possível ouvir o disparo.

Um agente de segurança foi atingido, mas usava colete à prova de balas e não ficou ferido, ainda de acordo com Blanche. Na sequência, Allen foi preso.

A procuradora federal dos EUA, Jeanine Pirro, que também estava presente na entrevista, mostrou as armas que Allen carregava. “Qualquer insinuação que ele não estava ali para causar dor é absurda”, afirmou. Segundo ela, os armamentos foram comprados na Califórnia. “Por que isso é relevante? É relevante porque ele viajou entre estados com essas armas.”

Ela também afirma que o manifesto escrito pelo atirador antes de iniciar os disparos também deixa claro quais eram as intenções dele.

O homem encaminhou à sua família o manifesto, divulgado primeiro pelo New York Post. No documento, ele criticou a falta de segurança do evento e afirmou que estava nervoso pelo ataque que estava prestes a fazer. Também disse que os alvos eram autoridades americanas e a maioria das pessoas que “optaram por participar do discurso de um pedófilo e estuprador”, a quem chama de cúmplices.

Apesar de não citar o nome do presidente Donald Trump, as evidências ligam as mensagens ao mandatário. O republicano foi alvo de críticas ao longo do último ano pela proximidade que manteve com o abusador sexual Jeffrey Epstein, que morreu enquanto aguardava a conclusão do julgamento em 2019.

Em fotos, documentos e emails, Trump parece ter tido uma relação próxima com Epstein, apesar de ele negar. Neste ano, o presidente escreveu nas redes sociais que nunca foi à ilha onde o financista abusava das vítimas e ameaçou processar opositores que o ligam ao caso.

“Eu não só não era amigo de Jeffrey Epstein como, com base em informações que acabam de ser divulgadas pelo Departamento de Justiça, Epstein e um ‘autor’ mentiroso e canalha chamado Michael Wolff conspiraram para me prejudicar e/ou prejudicar minha Presidência”, publicou.

Nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça no ano passado, há emails entre Epstein e o autor Michael Wolff. Nas mensagens, do fim de janeiro de 2019, o abusador diz que Trump tinha conhecimento sobre “as garotas”. Apesar de negar, há registros de que Epstein e Trump mantiveram contato entre os anos 1990 e 2000.

No domingo (26), em entrevista ao programa “60 Minutes”, Trump reagiu às acusações contidas no manifesto. “Eu não sou pedófilo”, afirmou o presidente, irritado com o questionamento. “Eu não estuprei ninguém. Eu não sou um pedófilo.” Ele também afirmou que não sentiu medo durante o episódio de sábado e disse que ameaças fazem parte do cargo, embora tenha reconhecido a gravidade do atentado frustrado.



Fonte CNN BRASIL

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