Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (1) que designaram o grupo criminoso equatoriano Chone Killers, uma facção que se separou dos Choneros —outra facção— em 2020, como uma organização terrorista estrangeira.
Os Chone Killers “realizaram inúmeros ataques (…) incluindo assassinatos de alto nível de autoridades públicas”, afirmou um comunicado do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Os grupos equatorianos Los Choneros e Los Lobos foram declarados organizações terroristas estrangeiras em setembro do ano passado.
“O governo Trump, em parceria com o Equador e o presidente Daniel Noboa, continuará a proteger nosso hemisfério, mantendo as drogas ilícitas longe de nossas ruas e interrompendo suas fontes de renda”, disse o comunicado.
Após o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os EUA deram um passo significativo na luta contra o crime organizado, designando mais de uma dezena de grupos ou cartéis na América Latina, incluindo México, Colômbia e Equador, como organizações “narcoterroristas”.
No caso do Brasil, as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) foram alvo da mesma classificação. A gestão de Donald Trump disse que o PCC “agora é a maior organização criminosa transnacional do hemisfério ocidental” —termo que a Casa Branca usa para se referir a todo o continente americano, não ao Ocidente.
Essa designação, segundo a interpretação jurídica do governo Trump, dá carta branca para atacar grupos ou seus líderes, onde quer que estejam.
Washington começou atacando militarmente barcos que transportavam supostos traficantes de drogas no Caribe e, em seguida, no Pacífico, a partir de 2 de setembro. Essas ações, que alarmaram governos progressistas da região, causaram pelo menos 215 mortes, segundo uma contagem da agência AFP.
Organizações de direitos humanos e jurídicas denunciaram esses ataques com mísseis, que raramente deixam sobreviventes, como uma flagrante violação do direito internacional.
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, é um dos aliados mais fiéis de Trump na região e já visitou os EUA em diversas ocasiões para coordenar o combate ao crime organizado.
Cerca de 70% da cocaína proveniente de seus vizinhos Colômbia e Peru, os maiores produtores mundiais da droga, transita pelo território equatoriano. O narcotráfico tornou o país um dos mais violentos da América Latina.
No caso da gangue venezuelana Tren de Aragua, designada como terrorista em fevereiro de 2025, o governo Trump orquestrou operações tanto no solo venezuelano quanto no americano. Em 12 de junho, o Pentágono atacou o esconderijo de Niño Guerrero, líder da gangue, que foi morto na operação.
O ataque foi realizado com a colaboração do regime venezuelano, comandado pela líder interina Delcy Rodríguez, com quem os laços se fortaleceram consideravelmente após a operação para capturar e depor o ditador Nicolás Maduro no país.
O secretário de Justiça dos EUA, Todd Blanche, afirmou nesta quarta que 350 membros ou suspeitos de pertencerem à Tren de Aragua foram presos nos EUA desde fevereiro de 2025.
Blanche, juntamente com o diretor do FBI, Kash Patel, e promotores do Texas e de Illinois, anunciou a prisão de oito membros do grupo venezuelano em diferentes operações. Todos eles são imigrantes em situação irregular.
O secretário disse que, após a designação do grupo há um ano e meio, o Departamento de Justiça pode acrescentar acusações de terrorismo à medida que as investigações progridem. “Com frequência, acusações adicionais surgem posteriormente, quando temos a oportunidade de adicioná-las”, afirmou.



