O indicado do presidente Donald Trump para ser o novo embaixador no Brasil, Daniel Peréz, foi sabatinado em uma audiência no Senado dos EUA nesta quinta-feira (16).
Pérez, que é deputado estadual da Flórida, falou sobre interesses econômicos em comum com os Estados Unidos, como os minerais críticos, citou presença de organizações criminosas transnacionais “que ameaçam a comunidades americanas” e, em entrevista a jornalistas, afirmou acreditar que o Brasil terá eleições “livres e justas”.
Cumprida a audiência, Peréz ainda precisa ser aprovado em votação do comitê de Relações Exteriores e, na sequência, em plenário. Como o Congresso entra em recesso a partir de agosto, ele poderia ser aprovado nas próximas duas semanas ou a partir de setembro.
Durante a sessão, ele foi questionado pelo senador democrata Tim Kaine sobre as novas tarifas de 25% aplicadas pelos EUA ao Brasil. Pérez afirmou que, como a medida foi divulgada na noite da quarta-feira (15), ele ainda não conseguiu se inteirar sobre o assunto.
Kaine retrucou que os Estados Unidos possuem um superávit com o Brasil e, se o governo Lula decidir retaliar, os produtos americanos podem sofrer ainda mais. Depois, em entrevista a jornalistas, Pérez disse que o superávit do Brasil com os EUA é um fato, mas reiterou que ainda precisa entender melhor as novas sobretaxas.
O republicano destacou que o Brasil possui vastas reservas de minerais críticos, “essenciais para os interesses econômicos e segurança nacional dos EUA” e que o país enfrenta desafios de segurança.
Segundo ele, há “organizações criminosas transnacionais que ameaçam comunidades americanas até a crescente presença de potências externas que disputam influência na região”, e a “forma como os Estados Unidos atuam em relação ao Brasil é fundamental para esse esforço [de combate ao crime] na América Latina”.
Pérez não citou explicitamente as facções a que se referia. Em maio, os EUA decidiram classificar o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas.
Além da interrupção de “atividades de organizações envolvidas no tráfico e no crime transnacional”, Pérez disse que as principais prioridades de sua atuação serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil e a promoção de interesses nacionais em comércio e investimentos.
Motivo de atrito com os EUA há anos, o etanol também foi um dos tópicos questionados na audiência –o produto foi uma reclamação do USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), que considera as tarifas de 18% aplicadas pelo Brasil muito altas.
Pérez foi questionado sobre o assunto pelo senador republicano Pete Ricketts, que celebrou o novo tarifaço contra o Brasil —ele disse ser um mecanismo para manter a “concorrência justa em todo o mundo”.
Pérez respondeu que não é especialista no tema, mas que “existe um desequilíbrio e não se limita ao etanol”. “Acho que há um desequilíbrio também nos setores de energia e infraestrutura quando se trata da relação entre Brasil e Estados Unidos”, disse.
Para o indicado de Trump, parte desse problema está ligado “com presença e proximidade”.
“Se eu for confirmado e puder ir ao Brasil, estar presente no país, acredito que a relação entre o setor privado —e não apenas entre os governos— pode ser fortalecida. O setor privado dos Estados Unidos, o governo brasileiro, o setor privado brasileiro e os cidadãos brasileiros podem aprofundar esses laços”, disse ele.




