FMI destaca Portugal em estudo sobre cadeias de valor globais

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Uma Publicação do Fundo Monetário Internacional, FMI, examina a evolução da participação europeia nas cadeias de valor globais (GVC, na sigla em inglês).

A análise recorre a modelos de aprendizagem automática e a estudos de caso nacionais, sublinhando que as conclusões refletem exclusivamente as opiniões dos autores e não as posições oficiais do FMI. A pesquisa foca em Portugal e na Bélgica como casos de sucesso.

Integração profunda, mas desigual, na União Europeia

Segundo o documento, a integração das economias da União Europeia nas cadeias de valor globais é profunda, mas marcada por diferenças significativas entre países no que diz respeito a ligações produtivas, complexidade e especialização setorial.

De acordo com a análise, os principais motores da participação nas GVC são a produtividade do trabalho, os custos laborais e o capital humano, apoiados por fatores como a qualidade das infraestruturas, a base industrial, a governação e a prontidão digital.

O estudo indica ainda que, embora a integração nas cadeias de valor esteja associada a ganhos de produtividade e à modernização tecnológica, também acarreta riscos acrescidos de concentração, disrupções nas cadeias de abastecimento e exposição a tensões geopolíticas.

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Portugal: integração e limitações tecnológicas

O estudo apresentado à União Europeia revela que no caso de Portugal, as exportações concentram-se na indústria transformadora e nos serviços empresariais, sendo a UE o principal destino, com cerca de metade das exportações totais.

A intensidade tecnológica das exportações portuguesas permanece abaixo da média da UE, com um peso significativo de produtos de baixa e média-baixa tecnologias e uma contribuição limitada dos setores de alta tecnologia. 

As ligações a montante, que medem a utilização do valor acrescentado português nas exportações de outros países, registaram alguma convergência até 2007, mas estagnaram desde então. 

Bélgica: elevada integração e riscos de concentração

A Bélgica apresenta um perfil distinto, caracterizado por uma forte integração nas cadeias de valor globais. 

O documento destaca a posição logística do país e a especialização em setores de elevado valor acrescentado, como a indústria farmacêutica e os serviços profissionais.

Esta elevada integração favorece a participação em segmentos de maior valor, mas também aumenta a exposição a choques setoriais e a variações da procura externa.

Principais conclusões

O documento conclui que a integração nas cadeias de valor globais, tanto em nível mundial como intraeuropeu, é sobretudo impulsionada pela produtividade do trabalho, pelos custos laborais, pela estrutura económica e pela qualidade do capital humano. 

A pesquisa ressalta que a participação nas GVC pode reforçar a produtividade, a diversificação e a difusão do conhecimento, criando efeitos de reforço mútuo.

Na União Europeia, a indústria transformadora continua a desempenhar um papel central na base exportadora, especialmente em setores como veículos automóveis, maquinaria, eletrónica e produtos farmacêuticos, enquanto os serviços se tornam progressivamente mais intensivos em conhecimento.

As diferenças observadas entre Estados-membros, exemplificadas pelos casos da Bélgica e de Portugal, refletem posições distintas ao longo das cadeias de valor e níveis diferenciados de exposição aos riscos associados à integração económica global.



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