A marinha da França interceptou no domingo (31) um navio-tanque ligado ao comércio de petróleo russo e ordenou que a embarcação se dirigisse ao território francês. A Rússia classificou a ação como ilegal e disse que ela beira a “pirataria internacional”.
O presidente francês Emmanuel Macron publicou nesta segunda-feira (1º) um vídeo na rede social X mostrando a operação contra o navio Tagor, durante uma operação em águas internacionais do Atlântico a 640 km a oeste da Bretanha.
O navio-tanque, que havia partido do porto ártico russo de Murmansk, é suspeito de navegar sob bandeira falsa e foi interceptado com apoio do Reino Unido, disse Macron. De acordo com o rastreador de embarcações MarineTraffic, o petroleiro de 252 metros de comprimento navegava sob bandeira de Madagascar.
A Prefeitura Marítima da França, autoridade estatal para segurança marítima, disse que a inspeção dos documentos da embarcação pela equipe de abordagem “confirmou as suspeitas quanto à irregularidade da bandeira hasteada”.
Para tentar contornar as sanções ocidentais, a Rússia tem dependido de embarcações antigas, conhecidas como frota fantasma, para transportar seu petróleo e gás. França e Reino Unido prometeram obstruir tais embarcações como parte de uma estratégia europeia para combater as receitas de petróleo que ajudam a financiar os esforços de guerra da Rússia na Ucrânia.
“É inaceitável que navios contornem sanções internacionais, violem o direito do mar e financiem a guerra que a Rússia trava contra a Ucrânia há mais de quatro anos”, escreveu Macron no X.
Na segunda-feira, o Tagor navegava sob escolta naval rumo a um ancoradouro no noroeste da França, segundo a Prefeitura Marítima.
O Tagor é o quarto navio-tanque sancionado interceptado pelos franceses. A UE impôs 19 pacotes de sanções contra a Rússia, mas Moscou se adaptou à maioria das medidas e continua vendendo milhões de barris de petróleo para países como Índia e China, geralmente a preços com desconto.
As sanções ocidentais e um pequeno número de interceptações tiveram pouco impacto evidente na “frota fantasma” em um momento em que os preços do petróleo, elevados pela guerra no Irã, oferecem grande incentivo aos navios-tanque. Em vez disso, são os ataques ucranianos às instalações petrolíferas russas que estão impedindo Moscou de capitalizar a alta nos preços globais de combustíveis.
A reação de Moscou à apreensão será acompanhada de perto. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas na segunda-feira que a Rússia tomará medidas para garantir a segurança do transporte de cargas em resposta ao incidente.
Em abril, a Rússia destacou uma fragata para escoltar duas embarcações sancionadas através do Canal da Mancha, e o Kremlin disse que a Rússia tinha o direito de se defender contra o que chamou de pirataria.
Dias depois, a Estônia disse que se absteria de deter navios-tanque da frota fantasma russa, preocupada com que tais ações pudessem provocar uma resposta militar de Moscou.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse em março que havia concedido permissão para que as forças armadas do Reino Unido abordassem navios pertencentes à “frota fantasma”. No entanto, dados de navegação mostram que dezenas de embarcações sancionadas continuaram a cruzar águas britânicas.
Em abril, os proprietários do navio-tanque Deyna, de bandeira moçambicana, pagaram uma multa não revelada para garantir a liberação da embarcação após ela ter sido detida pela França.




