A Fraternidade São Pio 10º apresentou um recurso ao Vaticano contra a excomunhão de seis bispos que foram ordenados sem a autorização do papa, em mais um capítulo da disputa entre a comunidade ultratradicionalista e a Igreja Católica.
No início do mês, o Vaticano confirmou a excomunhão de seis prelados e declarou essa comunidade tradicionalista em cisma com Roma. Em um decreto contundente na ocasião, o Dicastério para a Doutrina da Fé, a principal autoridade de supervisão da Igreja de 1,4 bilhão de membros, alertou católicos de todo o mundo que a fraternidade, com sede na Suíça, agora celebra os sacramentos de forma ilícita.
A excomunhão atingiu os bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, respectivamente sagrante principal e co-sagrante da fraternidade, e os recém-consagrados Pascal Schreiber, Michael Goldade, Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier.
A Fraternidade São Pio 10º classificou a medida de “injusta e inválida” e enfatizou sua devoção à Igreja Católica. A comunidade, fundada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991), reúne fiéis e religiosos que defendem uma interpretação rigorosa da doutrina e da liturgia católicas.
Em comunicado, a Fraternidade São Pio 10º anunciou ter “apresentado, em 11 de julho, um recurso preliminar” ao Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano, responsável pelas avaliações.
“Esse procedimento, que constitui o requisito prévio antes da eventual apresentação de um recurso hierárquico, tem como efeito suspender a execução do decreto”, diz o comunicado. “Com esse recurso, a Fraternidade pretende exercer o direito que a Igreja autorize a toda pessoa que se considere prejudicada por um ato administrativo.”
Essa comunidade, com cerca de 600 mil fiéis em todo o mundo e influente em alguns setores conservadores, já havia sido declarada cismática em 1988, mas Bento 16 suspendeu a sanção, em 2009, tentando uma reconciliação.
O grupo se opõe a diversas mudanças promovidas pela Igreja após o Concílio Vaticano 2º, realizado nos anos 1960, que modernizou práticas e orientações do catolicismo.
A Fraternidade São Pio 10º mantém a celebração do rito tridentino, marcado pelo uso do latim e por uma liturgia mais rígida e ritualizada. Nessas missas, o sacerdote celebra voltado para o altar, e não para a assembleia, permanecendo de costas para os fiéis durante grande parte da cerimônia.
O decreto do Vaticano do início do mês estabeleceu que, ao realizar a consagração sem o aval do papa, bispos incorreram na excomunhão prevista pelo direito canônico. Segundo a decisão, também devem ser excomungados os fiéis leigos que aderem formalmente à fraternidade.
Em nota explicativa, o Dicastério afirmou que ocorreram muitas tentativas de reconduzir os integrantes do movimento fundado em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991) à “plena comunhão com a Igreja Católica”.
“Essa situação agravou-se ainda mais em razão das recentes consagrações episcopais celebradas sem mandato pontifício, contra a vontade do Santo Padre e em manifesta violação do direito canônico”, diz a nota.




