Pelo menos 25 pessoas, entre civis e policiais, foram mortas em dois ataques ligados ao crime organizado no norte de Honduras, segundo autoridades do país. Os episódios ocorreram durante a preparação de uma ofensiva do governo contra gangues e cartéis, num cenário de aumento da violência.
O ataque mais letal aconteceu durante a madrugada de quinta-feira (21) no município de Trujillo, no departamento de Colón, onde ao menos 19 pessoas foram executadas com armas de grosso calibre. A região vive há anos sob tensão devido à disputa entre grupos criminosos rivais envolvidos tanto no narcotráfico quanto na ocupação ilegal de fazendas.
“Há duas equipes trabalhando. A primeira equipe já fez o reconhecimento de 13 mortos, e a segunda contabilizou mais seis pessoas que perderam a vida”, afirmou Yuri Mora, porta-voz do Ministério Público, à emissora local HCH.
Segundo autoridades, as gangues disputam o controle de duas propriedades rurais utilizadas para exploração de óleo de palma e por rotas do tráfico de drogas na região.
Vídeos divulgados por uma emissora local mostraram corpos espalhados e cobertos de sangue em uma das fazendas atacadas. O ministro da Segurança, Gerzon Velásquez, classificou o cenário de “cena dantesca”. “As vítimas aparentemente foram executadas com fuzis e espingardas”, disse ele.
O trabalho das autoridades foi dificultado porque familiares retiraram vários corpos do local antes da chegada das equipes forenses, informou o Ministério Público.
Velásquez afirmou que, embora a região enfrente conflitos há muitos anos, a dimensão do massacre é inédita. O chefe de polícia de Trujillo, Carlos Rojas, afirmou que organizações criminosas ocupam e exploram de forma ilegal duas fazendas de palma africana na área.
Horas depois, um segundo episódio violento foi registrado em Omoa, no departamento de Cortés, próximo à fronteira com a Guatemala. Segundo a polícia nacional, cinco agentes e um civil foram mortos em um confronto entre um esquadrão antigangues e narcotraficantes.
De acordo com um funcionário da polícia, os corpos dos agentes mortos ainda não haviam sido resgatados até o fim do dia. Após os ataques, o governo ordenou o envio de reforços policiais e militares para Trujillo e Omoa.
O presidente hondurenho, o conservador Nasry Asfura, afirmou em mensagem à população que as forças de segurança irão localizar os responsáveis. “As forças de segurança encontrarão aqueles que fizeram isso e conseguirão suas condenações. Esta é mais uma ferida que Honduras não merece. Isso não será esquecido e não ficará impune”, disse.
Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa, foi eleito presidente em dezembro. Durante a campanha eleitoral, ele contou com um apoio de peso: o do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Os episódios de violência aconteceram na mesma semana em que o Congresso hondurenho aprovou uma série de reformas voltadas ao combate ao crime organizado. As medidas ampliam a participação das Forças Armadas em tarefas de segurança pública, criam uma nova divisão especializada no combate às facções e permitem que gangues e cartéis sejam classificados de grupos terroristas.
Honduras enfrenta há anos índices altos de violência ligados ao narcotráfico e às disputas entre facções criminosas. Atualmente, a taxa de homicídios do país supera 24 casos por 100 mil habitantes, segundo dados citados pelas autoridades locais. Para efeito de comparação, o Brasil registrou uma taxa de 16 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2025.




