A televisão pública da Hungria anunciou na terça-feira (7) que seu noticiário foi suspenso de forma temporária enquanto o novo governo do premiê Péter Magyar reformula o canal a fim de torná-lo “independente e confiável”.
A emissora M1 exibia um comunicado em uma tela preta com a seguinte mensagem: “A mídia pública não pode mentir. Pedimos desculpas por ter feito isso por muitos anos”.
Mais cedo, a imprensa local informou que alguns editores da TV e rádio estatais haviam sido demitidos. A agência de notícias Reuters não conseguiu verificar as informações.
As medidas estão alinhadas com a promessa eleitoral de Magyar de reformular a mídia pública do país e acabar com o que ele chamou de propaganda feita na gestão do ex-primeiro-ministro Viktor Orbán.
“A mídia pública está sendo reformulada para que possa ser independente e confiável no futuro. O noticiário está temporariamente suspenso. Por favor, fiquem conosco”, dizia o comunicado no M1.
Magyar, cujo partido tirou do poder o conservador Fidesz, de Orbán, após 16 anos no poder, nas eleições de abril, começou a reformular os principais bastiões de poder do ex-premiê, incluindo a mídia. Ele afirmou que restaurará os freios e contrapesos e combaterá a corrupção.
“É um dia histórico, pois a transmissão de propaganda acabou na mídia pública”, escreveu Magyar no Facebook.
Magyar disse após a eleição que queria criar “um serviço de notícias verdadeiramente equilibrado e objetivo”. Em um de seus primeiros decretos como primeiro-ministro, ele ordenou uma revisão “abrangente e imediata” da mídia pública e de seu financiamento.
Mas criar um modelo equilibrado será um grande desafio, segundo analistas. Sob Orbán, a mídia pública, financiada pelo governo, mas historicamente independente, ficou sob controle cada vez maior do Executivo à medida que novas leis de mídia foram promulgadas, e vários veículos privados foram fechados ou assumidos por empresários simpáticos ao ex-primeiro-ministro.
A Hungria caiu para a 74ª posição em 2026, vindo da 23ª em 2010, no ranking de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras.




