
A crise no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, continua pressionando os preços globais dos combustíveis, com o tráfego de petroleiros praticamente paralisado.
Na sexta-feira, o Irã sinalizou que a passagem marítima permaneceria aberta durante o cessar-fogo entre Israel e Líbano. Um dia depois, o Estreito foi fechado novamente, segundo o Irã por causa do bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos.
Agências de notícias informam que os preços globais do petróleo subiram após relatos de que os Estados Unidos teriam interceptado e apreendido um navio cargueiro de bandeira iraniana, aumentando a incerteza no mercado.
O preço de referência do petróleo disparou para cerca de US$ 96 o barril, revertendo as quedas observadas, no final da semana passada, após o Irã sinalizar a abertura do Estreito de Ormuz.
A crise em torno da região aumenta a incerteza sobre a realização de uma segunda rodada de negociações de entre Estados Unidos e Irã, prevista para esta semana no Paquistão.
O aumento da violência no Oriente Médio está tendo impactos de longo alcance na segurança alimentar em todo o mundo, de acordo com o Programa Mundial de Alimentos, WFP.
Os países fortemente dependentes de importações estão entre os mais atingidos. No Laos, os preços dos combustíveis quase dobraram em algumas regiões, elevando os custos de transporte e forçando as famílias a pular refeições ou a optar por alimentos mais baratos e menos nutritivos.
Na Nigéria, os preços dos combustíveis subiram mais de 60% desde fevereiro, duplicando os custos de transporte e impulsionando os preços dos alimentos em um país onde muitas pessoas já enfrentam dificuldades para comprar itens básicos.
O Egito também está registrando aumentos acentuados, com o valor das hortaliças quase triplicando, os alimentos básicos aumentando18%, e os custos de combustíveis e transporte ficando mais caros significativamente.
Um comerciante organiza seu estoque de arroz e feijão em um mercado em Roma, Itália
Em uma conferência nesta segunda-feira, em Roma, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, Qu Dongyu, disse que a disponibilidade e acessibilidade dos alimentos está sob ameaça.
Ele ressaltou que a crise afeta todos os insumos agrícolas, incluindo produtos químicos e máquinas, além dos fertilizantes. Dongyu disse que informou ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que a crise terá “consequências de longo prazo para a agricultura”, mesmo que termine hoje.
O Estreito de Ormuz é um dos corredores marítimos mais importantes do mundo, servindo como porta de entrada entre o Golfo Pérsico e o oceano aberto.
Localizado entre o Irã, ao norte, e Omã e os Emirados Árabes Unidos, ao sul, o estreito conecta os principais países produtores de petróleo e gás, incluindo Arábia Saudita, Catar, Iraque e Kuwait, aos mercados globais.
Antes do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã uma parcela significativa do suprimento mundial de energia, incluindo petróleo, gás natural e matérias-primas para diversas indústrias passava diariamente pelo estreito.
O trânsito de navios caiu drasticamente desde a escalada do conflito no final de fevereiro.
A Organização Marítima Internacional confirmou que desde o início das tensões foram registrados 24 incidentes contra embarcações comerciais e 10 marinheiros mortos.
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