As Forças Armadas do Irã ameaçaram nesta terça-feira (16) retaliar Israel após ataques no sul do Líbano que mataram quatro pessoas, apesar do acordo entre Teerã e Washington que deve por fim à guerra no Oriente Médio, incluindo o Líbano.
“Se o Exército assassino de crianças do regime sionista não cessar seus atos de agressão no sul do Líbano, deve esperar uma dura resposta das poderosas Forças Armadas da República Islâmica do Irã”, declarou o comando central das forças iranianas, Khatam al-Anbiya.
O comunicado afirmou que Israel violou o cessar-fogo no Líbano 84 vezes desde o anúncio do acordo.
Em paralelo à ameaça, o grupo Hezbollah afirmou acreditar que o Irã não assinará um acordo nuclear definitivo com Washington a menos que Israel se retire do Líbano. O principal diplomata iraniano declarou que a permanência de tropas israelenses no território libanês seria considerada uma violação do memorando de entendimento entre os EUA e o Irã.
As tropas israelenses ainda ocupam uma faixa de território no sul do Líbano, ocupada durante a campanha aérea e terrestre de três meses contra o Hezbollah, iniciada após o grupo apoiado pelo Irã ter atacado Israel em 2 de março, em apoio a Teerã.
Os combates no Líbano diminuíram significativamente após o memorando de entendimento entre o Irã e os EUA, mas não cessaram completamente, e o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que suas tropas permanecerão no país por tempo indeterminado.
As forças israelenses mataram mais quatro pessoas nesta terça em ataques contra três veículos no sul libanês. Duas morreram em um ataque duplo, com um drone atingindo um carro na vila de Mayfadoun, seguido por um segundo ataque após pessoas se reunirem no local. Outro ataque na cidade de Shoukin matou outras duas pessoas, informou a agência de notícias estatal.
Israel não comentou diretamente estes casos, mas, em comunicado anterior, suas Forças Armadas afirmaram ter interceptado foguetes lançados pelo Hezbollah contra uma área no sul do Líbano onde soldados israelenses estavam operando. O Exército também informou ter atingido um lançador que disparou alguns dos foguetes.
A operação israelense no local matou mais de 3.820 pessoas desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, e deslocou cerca de 1,2 milhão, segundo as autoridades libanesas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou também nesta terça que o fim da guerra regional deve incluir o fim do conflito no Líbano, incluindo “o fim da ocupação” do território libanês. “Sem a retirada das forças israelenses dos territórios que ocuparam nesta guerra, o fim definitivo da guerra não terá sido alcançado”, afirmou.
Ainda nesta terça, a televisão estatal iraniana informou que petroleiros e outras embarcações iranianas retomaram a navegação após o acordo com Washington, o que parece indicar um alívio no bloqueio naval imposto pelos EUA.
Segundo a imprensa local, três petroleiros iranianos estão navegando atualmente no norte do Oceano Índico, e outros dois, transportando bens essenciais e ração animal, estão a caminho de portos no sul. A emissora afirma que a operação para suspender o bloqueio naval foi implementada.
O acordo alcançado entre Washington e Teerã também prevê o início, no prazo de 60 dias, de novas negociações para abordar temas mais delicados, como o programa nuclear do Irã e as sanções internacionais contra o país.
“Provavelmente na sexta-feira, em um local que ainda será determinado, começará uma nova rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos para alcançar um acordo final”, disse Araghchi.
A cerimônia de assinatura contará com as presenças do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance. De acordo com o governo suíço, a cerimônia ocorrerá em um resort de luxo na montanha Bürgenstock, próxima ao lago de Lucerna. O local “foi proposto pelos mediadores paquistaneses e qataris, assim como pelos EUA e pelo Irã”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Suíça à agência AFP.


