Israel avançou nesta quarta-feira (20) rumo à convocação de eleições antecipadas após parlamentares aprovarem em leitura preliminar um projeto para dissolver o Parlamento. A medida aumenta a pressão sobre o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, que aparece enfraquecido nas pesquisas desde os ataques do Hamas em outubro de 2023.
Os deputados aprovaram quase por unanimidade o projeto para encerrar de forma antecipada os trabalhos do Knesset, o Parlamento israelense. Foram 110 votos favoráveis, sem manifestações contrárias ou abstenções. O texto ainda precisa passar por mais etapas legislativas, num processo que pode levar semanas, antes da aprovação final.
Caso a dissolução seja confirmada, Israel poderá realizar eleições antes do prazo limite atual, marcado para 27 de outubro.
A proposta para dissolver o Parlamento partiu da própria coalizão de governo de Netanyahu, em um sinal da fragilidade política do premiê. O estopim da crise foi o rompimento com um partido ultraortodoxo antes aliado ao primeiro-ministro.
A legenda acusa Netanyahu de não cumprir a promessa de aprovar uma lei que isentaria integrantes da comunidade ultraortodoxa do serviço militar obrigatório, um dos temas mais sensíveis e divisivos da política israelense.
A votação ocorreu em um momento considerado delicado para Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel e líder do governo mais à direita já formado no país.
Israel continua envolvido em múltiplos conflitos simultaneamente. Desde os ataques do Hamas em 2023, o país trava uma guerra na Faixa de Gaza, além de manter confrontos com o Hezbollah no Líbano e tensões com o Irã. A permanência dessas frentes de conflito pode influenciar o cenário eleitoral.
Além da pressão política e militar, Netanyahu enfrenta problemas judiciais. O premiê responde há anos a um processo por corrupção. O presidente de Israel, Isaac Herzog, atua como mediador de negociações para um possível acordo judicial. A proposta poderia incluir a aposentadoria política de Netanyahu, hoje com 76 anos.
O estado de saúde do premiê também passou a gerar questionamentos recentes. Netanyahu disse ter sido tratado com sucesso contra um câncer de próstata e, em 2023, implantou um marca-passo.
Pesquisas de opinião feitas desde os ataques do Hamas apontam que a coalizão governista liderada por Netanyahu perderia a maioria parlamentar caso as eleições fossem realizadas agora.
Ainda assim, o cenário político israelense continua incerto. Há a possibilidade de os partidos de oposição não conseguirem formar uma coalizão alternativa. Nesse caso, Netanyahu poderia permanecer no comando de um governo interino até que o impasse político fosse resolvido.




