O presidente Lula (PT) disse nesta quarta-feira (5) que a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti, anunciada na véspera pelos Estados Unidos, foi uma atitude irresponsável.
Ele também elogiou o Ministério das Relações Exteriores por ter barrado a entrada no país de representantes do governo americano que viajariam ao Brasil com a missão de questionar o sistema eleitoral brasileiro, de acordo com o jornal americano The Washington Post.
A relação entre o Brasil de Lula e os EUA de Donald Trump está se deteriorando ao longo das últimas semanas.
Em conversa com jornalistas, um porta-voz do Departamento de Estado disse que a revogação do visto de Viotti será cancelada se o Brasil conceder aval para que o representante indicado pelos EUA, Daniel Perez, assuma suas funções como novo embaixador em Brasília —um procedimento conhecido como agrément.
A indicação de Perez não seguiu o rito diplomático tradicional. Normalmente o nome de um embaixador só é anunciado depois de o agrément ser concedido, justamente para minimizar o desgaste político caso a indicação seja recusada pelo país. Nesse caso, a ordem foi invertida.
Lula mencionou o fato de Trump ter assumido o governo americano há mais de um ano e não ter enviado imediatamente um embaixador para trabalhar no país e, depois, pressionado o Brasil para aceitar rápido o nome indicado.
Em seguida, classificou de “atitude irresponsável, impensada” o cancelamento do visto da embaixadora brasileira. Lula disse que só voltará a receber embaixadores de outros países, quaisquer que sejam, depois das eleições de outubro.
O presidente também mencionou ter pedido a Trump que ele permitisse que voltassem a poder viajar para os EUA 11 autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar no país, o que não foi atendido. Em seguida, mencionou que o Itamaraty barrou “corretamente” funcionários do governo americano.
Esses funcionários eram do departamento de Estado. Segundo o Washington Post, Trump planejava mandá-los ao Brasil para lançar dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral brasileiro.
O presidente brasileiro disse que eventuais intromissões estrangeiras nas eleições brasileiras não serão aceitas. Também declarou que se o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fizer campanha para seus adversários a manobra poderá dar errado.
“Se o secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, é até bom”, disse o petista. O presidente disse que quer ‘derrotar todos eles juntos”. Lula aposta em um discurso de soberania nacional para aumentar sua popularidade contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal candidato de oposição e que é alinhado a Trump.
Lula também elogiou seu próprio governo e disse que não há motivo para os eleitores escolherem outro nome para a presidência. “Não há uma única razão para que um brasileiro ou brasileira que queira o bem do Brasil não votar em nós. A não ser que o cara seja negacionista, que não queira que nada dê certo”, declarou.
O presidente da República voltou a dizer que tentará, se reeleito, retomar ao menos parte do poder sobre as emendas parlamentares –frações do Orçamento cujos destinos são escolhidos por deputados e senadores. “Vamos tentar mudar essa questão do Orçamento”, declarou.
Lula deu as declarações em entrevista aos canais no Youtube Meteoro Brasil e Os Três Elementos. Na última semana, ele falou ao Inteligência LTDA. O petista tem buscado formas de se comunicar com o eleitorado que não o segue normalmente. Um dos focos é aparecer para o público jovem, de uma forma em que Lula possa se apresentar como um personagem que vai além da política.
Lula lidera as pesquisas de intenção de voto. O último levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta, mostra-o com 39% no primeiro turno contra 30% de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para o segundo turno, o presidente tem 44% contra 39% de Flávio.
O levantamento mostra uma vantagem numericamente menor de Lula em relação à edição anterior da pesquisa, divulgada no fim de julho. As oscilações tanto do petista quanto de Flávio, porém, foram dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.




