O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez neste sábado (18) fortes críticas ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), cujos membros permanentes são Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
“Os cinco membros do Conselho de Segurança, os membros permanentes, que quando se criou o Conselho de Segurança era para garantir a paz no mundo, após a Segunda Guerra Mundial, viraram os senhores da guerra”, discursou ele em reunião com outros líderes majoritariamente de esquerda em Barcelona, na Espanha.
“Esse tema que nós estamos discutindo aqui poderia estar sendo discutido nas Nações Unidas. E por que não está? Porque hoje as Nações Unidas não representam aquilo para o qual elas foram criadas”, declarou.
Ele criticou decisões unilaterais de diferentes países sem consultas ao órgão. Disse que o ex-presidente americano George W. Bush não pediu permissão a ninguém para invadir o Iraque, assim como o russo Vladimir Putin na Ucrânia, Donald Trump no Irã e na Venezuela e a ação de França e Inglaterra na Líbia —esta última, embora criticada por excessos, foi autorizada por resolução do Conselho de Segurança. Lula também criticou as ações de Israel na Faixa de Gaza.
O presidente afirmou que os membros titulares não comparecem às reuniões —apenas enviam embaixadores— e que o direito de veto não funciona. Questionou também a falta de representação africana, latino-americana e de países como a Índia.
Ele voltou a repetir que “não podemos levantar todo dia de manhã e dormir todo dia à noite com Twitter de um presidente da República ameaçando o mundo, fazendo guerra”, referindo-se a Trump. E acrescentou que é o pobre quem paga com o aumento de preço de matérias-primas.
Lula defendeu ainda que é preciso fazer uma discussão cotidiana sobre o assunto a nível internacional e que a regulamentação das redes sociais também deveriam ser decididas na ONU. Segundo ele, esse é um problema mundial, e não de um país ou de outro.
As declarações foram dadas a cerca de 20 líderes, que se reuniram pela quarta vez no chamado Fórum Democracia Sempre, em Barcelona. O evento foi criado por esses líderes em 2024 com a intenção de fazer frente à onda mundial da direita radical.
O tom geral do evento foi o repúdio às guerras recentes e a decepção dos eleitores com o direito internacional e com a democracia, o que segundo os líderes presentes faz crescer o extremismo. A crise de credibilidade da ONU também foi citada pelo premiê espanhol, Pedro Sánchez.
“Chegou o momento de que a ONU seja renovada e, por que não, dirigida por uma mulher. Não é só uma questão de justiça, mas também de credibilidade”, discursou ele, indicando apoio à ex-presidente chilena Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral do órgão em 2027. Obter esse apoio era um dos objetivos do Brasil na viagem.
O espanhol sediou a reunião, com os presidentes Lula e Yamandú Orsi (Uruguai) à sua direita. À esquerda, sentaram-se Gustavo Petro (Colômbia) e Gabriel Boric (Chile) —este último sem a bandeira do país, já que deixou o cargo, mas convidado por ser um dos impulsionadores do grupo.
A novidade foi a presença da mexicana Claudia Sheinbaum, já que o presidente anterior, Andrés Manuel López Obrador, teve uma relação em geral tensa com a Espanha. Ela fez um longo discurso sobre dominação, citou “colônias modernas” e criticou os gastos mundiais em armamentos.
Além dos latino-americanos, compareceram o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa e os vice-premiês europeus da Alemanha (Lars Klingbeil) e do Reino Unido (David Lammy). Também participaram o vice-secretário-geral da ONU, Guy Ryder, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Lula está em uma viagem de cinco dias pela Europa, acompanhado de uma comitiva com 11 ministros. Nesta sexta-feira (17) ele participou de uma reunião bilateral com Sánchez, com quem assinou 15 acordos, incluindo uma cooperação no setor de minerais críticos.
Neste domingo (19), o presidente segue para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover, e depois para Portugal, onde se encontrará com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o novo presidente do país, António José Seguro. Ele volta ao Brasil na terça (21).
CHEFES DE ESTADO PRESENTES NO FÓRUM DEMOCRACIA SEMPRE
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Albânia, Edi Rama (Primeiro-ministro)
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Alemanha, Lars Klingbeil (Vice-chanceler)
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Áustria, Andreas Babler (Vice-chanceler)
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Barbados, Mia Mottley (Primeira-ministra)
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Botsuana, Ndaba Gaolathe (Vice-presidente)
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Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (Presidente)
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Cabo Verde, José Maria Neves (Presidente)
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Colômbia, Gustavo Petro (Presidente)
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Conselho Europeu, António Costa (Presidente)
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Espanha, Pedro Sánchez (Presidente)
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Gana, Jane Naana (Vice-presidente)
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Irlanda, Catherine Connolly (Presidente)
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Lituânia, Inga Ruginiené (Primeira-ministra)
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México, Claudia Sheinbaum (Presidente)
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Reino Unido, David Lammy (Vice-primeiro-ministro)
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África do Sul, Cyril Ramaphosa (Presidente)
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Uruguai, Yamandú Orsi (Presidente)
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Nações Unidas, Guy Ryder (Vice-secretário-geral)
OUTROS CONFIRMADOS
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Austrália, Rosemary Morris-Castico (Embaixadora)
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Eslováquia, Juraj Tomaga (Embaixador)
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Guatemala, Jorge Skinner-Klée Arenales (Embaixador)
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Namíbia, Sabine Böhlke-Möller (Embaixadora)
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Noruega, Åsmund Aukrust (Ministro do Desenvolvimento)
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República Dominicana, Antoliano Peralta (Ministro da Justiça)




