Negociadores dos Estados Unidos e do Irã tiveram “avanços positivos” durante uma nova rodada de negociações indiretas em Doha, disseram nesta quinta-feira (2) autoridades do Qatar, um dos países que fazem a mediação do conflito. As partes, acrescentaram, concordaram em retomar as conversas depois do funeral do ex-líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que deverá começar no sábado (4) e durar seis dias.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores qatari, Majed al-Ansari. Segundo ele, mediadores do Qatar e do Paquistão participaram de reuniões separadas com as delegações americana e iraniana, como tem sido praxe ao longo do conflito.
“As partes concordaram em continuar as discussões, e a próxima reunião será agendada o mais rápido possível após as cerimônias fúnebres do ex-líder supremo iraniano”, escreveu Ansari na plataforma X.
Khamenei foi morto aos 86 anos, em 28 de fevereiro, em ataques feitos por EUA e Israel contra o complexo governamental no centro de Teerã. Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi escolhido como novo líder supremo.
O funeral terá início no sábado (4), em Teerã, e será seguido por cerimônias religiosas e procissões em várias cidades iranianas. O sepultamento está marcado para a quinta-feira (9) em Mashhad, no nordeste do país, a cidade-natal de Khamenei.
Segundo autoridades iranianas, as cerimônias terão também caráter político. O regime espera reunir milhões de pessoas para demonstrar apoio à teocracia após a morte de seu principal líder na guerra. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e He Wei, um parlamentar da China de alto escalão, deverão ser alguns dos representantes internacionais no funeral.
Para incentivar a presença da população, o regime organizou uma operação logística. Hotéis vão oferecer descontos de 50%, e escolas, mesquitas e ginásios foram preparados para receber visitantes. Linhas de ônibus e de trem tiveram seus trajetos alterados para atender ao fluxo esperado de fiéis e simpatizantes.
Apesar dos preparativos, analistas avaliam que o apoio popular ao regime se deteriorou nos últimos anos em razão das sanções econômicas, da crise no custo de vida e da repressão a manifestações.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, que chefia a delegação iraniana em Doha, informou que as conversas terminaram com um acordo para criar, a partir desta quinta, um canal de comunicação destinado a registrar possíveis violações dos entendimentos entre as partes.
Segundo Gharibabadi, as negociações também trataram dos recursos iranianos congelados no exterior. Teerã insiste que a liberação desses ativos é condição para qualquer acordo e afirmou que houve entendimento sobre os tipos de bens que poderão ser adquiridos com US$ 6 bilhões que seriam desbloqueados.
Na quarta-feira (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que as negociações sobre “a desnuclearização do Irã estão indo bem”, sem fornecer detalhes sobre o andamento das discussões.




