Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) criticaram nesta quinta-feira (6) as medidas dos Estados Unidos contra Cuba e pediram uma resposta rápida da comunidade internacional para evitar que a ilha, submetida há mais de seis meses a um bloqueio de combustível imposto por Washington, se transforme em uma “Gaza silenciosa”.
“Os alimentos jamais devem ser usados como instrumento de pressão política. Medidas que deliberadamente privam uma população dos meios de sobrevivência atingem as garantias mais básicas do direito à vida e ferem o cerne da dignidade humana”, afirmaram os especialistas.
O alerta das Nações Unidas ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária e do colapso energético do país caribenho. A ilha tem sofrido cortes persistentes de energia devido ao envelhecimento de suas usinas e ao bloqueio de combustível imposto por Washington, que interrompeu as entregas regulares de combustível, necessário para abastecer as centrais elétricas.
A ilha já registrou ao menos seis apagões nacionais desde o começo deste ano, e a população convive com cortes de energia que chegam a 20 horas por dia.
Em março, os EUA liberaram pontualmente a entrada de um navio-tanque russo carregado com 100 mil toneladas de petróleo bruto, mas esse volume já se esgotou completamente. O colapso da rede elétrica paralisou serviços essenciais. A coleta de lixo foi suspensa, voos foram cancelados e hotéis precisaram fechar as portas. A população passou a cozinhar com carvão e lenha.
Nos bairros mais afetados, a insatisfação popular se reflete em protestos diários. Moradores expressam indignação ateando fogo aos montes de lixo acumulados nas ruas ou promovendo panelaços. Além do bloqueio petroleiro, o governo de Donald Trump intensificou as sanções contra empresas estatais cubanas, o que levou muitas companhias estrangeiras a suspenderem suas operações no país.
Washington atribui a crise à má gestão do governo cubano. Havana, por sua vez, responsabiliza o embargo mantido desde 1962 e o bloqueio petroleiro imposto em janeiro pelo presidente Trump.
No âmbito diplomático, as saídas para a crise permanecem travadas. De acordo com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, as conversas formais mantidas com o governo americano “não mostram progressos”.




