Palestinos são forçados a demolir as próprias casas – 04/06/2026 – Mundo

Palestinos são forçados a demolir as próprias casas - 04/06/2026


Em junho passado, Qutaibah Odeh, 32, assistiu à demolição da casa de seu irmão em Jerusalém Oriental. A prefeitura mais tarde lhe passou a conta. Cobraram, diz, o equivalente a cerca de R$ 80 mil pelos tratores e pelos funcionários que destruíram um dos lares da família, residentes do local há gerações.

Em julho deste ano, a Justiça decide se derruba também a casa de Odeh. Ele terá, então, de pagar a taxa, como o irmão. A não ser que opte por abrir mão dos serviços da prefeitura e destrua a construção ele mesmo.

Nos últimos meses, outras famílias passaram por esse dilema. Os casos aumentaram desde o início da guerra contra o grupo terrorista Hamas, em outubro de 2023. “Todo o foco está em Gaza e no Irã. Ninguém presta atenção, e eles fazem o que querem”, diz Odeh, que lidera uma associação de moradores contra as demolições.

“Como querem que a gente se sinta?”, questiona. “Não são só pedras. Temos memória, sonhos. Nosso passado está aqui.”

A situação afeta, em especial, os bairros palestinos próximos à Cidade Antiga de Jerusalém, como al-Bustan, onde vive a família Odeh. Segundo os relatos da imprensa, Israel demoliu quase 60 casas ali nos últimos dois anos. O plano é construir um parque temático bíblico no local.

Israel justifica as ordens de demolição afirmando que essas famílias construíram suas casas sem a devida autorização da prefeitura. Diz ainda que o parque supriria a carência de áreas verdes e de lazer em al-Bustan.

No entanto, palestinos enfrentam desafios legais para construir suas casas. “O número de palestinos que conseguem obter uma autorização é bastante limitado”, afirma o arquiteto israelense Haim Yacobi, especialista em planejamento urbano que leciona na University College London. “A burocracia funciona contra eles.”

Segundo o professor, Israel vem tentando, nas últimas duas décadas, aumentar o número de judeus israelenses e diminuir o de palestinos em Jerusalém Oriental, um território que ocupou em 1967 após a Guerra dos Seis Dias. Tanto Israel quanto a Palestina reivindicam a cidade como capital, o que constitui um dos principais entraves às negociações de paz.

Uma das maneiras de fazer isso é tratar Jerusalém como uma área historicamente judaica, privilegiando escavações que confirmem a ideologia nacionalista do governo atual. É com base em relatos bíblicos, afinal, que a prefeitura planeja o novo parque em al-Bustan. “Israel usa a arqueologia como arma para desapropriar palestinos”, afirma Yacobi.

Apesar de esse processo ter uma longa história, o professor diz que ele se acelerou de forma dramática nos últimos anos. Se antes havia protestos, inclusive de israelenses, hoje as demolições mal aparecem no noticiário, afirma. Além de o foco ter se deslocado para Gaza, houve a volta de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, acompanhada de um maior apoio às políticas do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

Yacobi diz que, além das razões econômicas, algumas famílias palestinas preferem demolir suas próprias casas porque assim conseguem controlar melhor o processo. Podem também guardar parte do material para construir seus novos lares. “Para muitos deles, não há nada pior do que alguém demolir sua casa”, afirma. “Ou, na verdade, há: que alguém faça isso em vez deles.”

O arquiteto diz que, apesar de estarem em crescimento, essas demolições ainda enfrentam obstáculos no país. Os processos legais são lentos e complexos e enfrentam resistência por parte dos moradores palestinos. Mas as ações funcionam como um fator simbólico, criando uma sensação de medo e instabilidade entre os palestinos. “Para Israel, é uma maneira de mostrar quem detém o poder.”

Odeh compara a situação de al-Bustan a “um filme de Hollywood”. “Primeiro, somos multados porque construímos sem autorização. Depois, demolem nossa casa e nos mandam a conta, fazendo com que paguemos até as refeições dos soldados”, diz.

Ele afirma que não tem esperança de vencer seu caso na corte em julho. Mas diz de antemão que, “por princípio”, não vai demolir sua casa. “Eles que a derrubem.”



Fonte CNN BRASIL

Leia Mais

MTur: microempreendedoras vítimas de violência terão crédito especial

MTur: microempreendedoras vítimas de violência terão crédito especial

junho 4, 2026

naom_69baa5ec51920.webp.webp

Programa contra crime organizado terá escritórios antifacção em São Paulo e no Rio

junho 4, 2026

Palestinos são forçados a demolir as próprias casas - 04/06/2026

Palestinos são forçados a demolir as próprias casas – 04/06/2026 – Mundo

junho 4, 2026

17805951556a21b9d3d3c43_1780595155_3x2_rt.jpg

Avião da Lufthansa cai de nariz no chão antes de decolar em Frankfurt – 04/06/2026 – Mundo

junho 4, 2026

Veja também

MTur: microempreendedoras vítimas de violência terão crédito especial

MTur: microempreendedoras vítimas de violência terão crédito especial

junho 4, 2026

naom_69baa5ec51920.webp.webp

Programa contra crime organizado terá escritórios antifacção em São Paulo e no Rio

junho 4, 2026

Palestinos são forçados a demolir as próprias casas - 04/06/2026

Palestinos são forçados a demolir as próprias casas – 04/06/2026 – Mundo

junho 4, 2026

17805951556a21b9d3d3c43_1780595155_3x2_rt.jpg

Avião da Lufthansa cai de nariz no chão antes de decolar em Frankfurt – 04/06/2026 – Mundo

junho 4, 2026