Presidente da Comissão Europeia faz tour por países da ‘linha de frente’ russa – 29/08/2025 – Mundo

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“Putin é um predador”, repetiu Ursula von der Leyen nesta sexta-feira (29), na Letônia. Ao lado da primeira-ministra, Evika Silina, a presidente da Comissão Europeia celebrou o fato de a pequena nação ter se tornado “uma verdadeira potência em drones e antidrones”. O encontro foi o primeiro item de uma agenda decidida de véspera: em quatro dias, Von der Leyen visitará sete países da “linha de frente” russa, sua mais ostensiva manobra diplomática desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

Horas antes de anunciar a viagem, Von der Leyen se declarou “indignada” com o ataque a Kiev que matou 23 pessoas, 4 delas crianças, e atingiu também o prédio da missão da União Europeia na capital ucraniana. Foi o ataque mais mortífero da Rússia desde que Donald Trump se reuniu com Vladimir Putin e tentou organizar um encontro com Volodimir Zelenski, há duas semanas.

“A Europa só estará segura se a fronteira oriental estiver segura”, declarou Von der Leyen em Riga, antes de embarcar para Helsinque e se encontrar com o premiê filandês, Petteri Orpo, e o presidente do país, Alexander Stubb. No sábado, a parada será na Estônia; domingo, a visita prossegue por Polônia e Bulgária e, na segunda, por Romênia e Lituânia.

Tirando Bulgária e Romênia, os demais países da lista fazem fronteira com Rússia e Belarus. Todos, no entanto, vivem sob a enorme pressão do conflito e das ameaças abertas e veladas de Moscou. “A guerra brutal da Rússia contra a Ucrânia está agora no seu quarto ano. Putin é um predador e seus representantes têm atingido nossas sociedades há anos com ataques híbridos, ciberataques e até a utilização de imigrantes como arma”, disse, ecoando denúncias frequentes na região.

Von der Leyen não economizou em anúncios. Revelou que a Comissão Europeia obteve adesão de todos os países-membros ao mecanismo de € 150 bilhões (RS$ 940,4 bilhões) para fomentar a indústria de defesa do continente. Já na Finlândia, no começo da noite europeia, lembrou que propôs triplicar o investimento na segurança de fronteira no Orçamento da UE, justamente no país que possui 1.300 quilômetros de divisa com a Rússia.

À ofensiva diplomática se somaram outras manifestações fortes. Em Copenhague, Kaja Kallas, chefe da diplomacia europeia, declarou que os últimos ataques comprovaram que a Rússia demonstrou uma “opção deliberada” para “ridicularizar os esforços de paz”. Precedeu a fala a divulgação de um comunicado assinado por 26 dos 27 países-membros da UE que denunciava “a natureza imprudente dos ataques da Rússia e seu desrespeito pelo direito internacional”.

Como de praxe, a Hungria de Viktor Orbán recusou participar do documento.

“Apesar dos intensos esforços diplomáticos internacionais, a Rússia não demonstra qualquer intenção de pôr fim à sua guerra de agressão contra a Ucrânia”, afirmaram, em declaração conjunta, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, também nesta sexta. Em encontro em Toulon, os dois líderes sublinharam a necessidade de a Ucrânia receber mais sistemas de defesa aérea.

Macron lembrou ainda que Putin tem até segunda-feira para responder a Trump sobre um encontro de paz. Sua recusa, disse o mandatário francês em entrevista coletiva, demonstraria nova tentativa do presidente russo em “manipular” o presidente americano. Ele e Merz devem manter contato com Trump durante o fim de semana, em nova tentativa europeia de manter influência nas negociações do conflito.

A mobilização europeia, no entanto, não oblitera o fato de que o continente tem poucas alternativas diante da guerra, a maior preocupação da sociedade europeia neste momento, segundo pesquisas de opinião. A exigência que Trump faz para os países da Otan, de 5% do PIB para gastos militares, colide com a economia real de boa parte do continente, atolada em déficits e em disputas comerciais e regulatórias, inclusive com os EUA.

A política interna também não ajuda. Orbán está longe de ser o único líder europeu pró-Putin ou incomodado com o amplo apoio de Bruxelas à Ucrânia. Romênia e Polônia, para ficar apenas no roteiro escolhido por Von der Leyen, enfrentam cenários domésticos de polarização, em parte alimentados por operações híbridas ordenadas pelo Kremlin, mas também pelos sentimentos que um esforço de guerra impõe.



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