Republicanos pressionam Trump por fim da guerra no Irã – 03/05/2026 – Mundo

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Os republicanos mais relevantes do Congresso dos Estados Unidos estão perdendo a paciência com a Guerra no Irã, conflito complexo e de alto custo que já acontece há 60 dias no Oriente Médio, e começam a adotar uma postura mais cética após semanas seguindo o presidente Donald Trump sem questioná-lo.

Embora as lideranças republicanas continuem a apoiar a ofensiva, a mudança pode preparar o terreno para um debate no Congresso. O Partido Republicano, que cedeu grande parte de seu poder a Trump e se recusou a exercer supervisão sobre a guerra, pode forçar discussão nos próximos dias e pressionar o governo a estabelecer condições e cronograma para retirada rápida.

Isso ocorre seis meses antes das eleições de meio de mandato, nas quais os republicanos correm o risco de perder o controle do Congresso. O cenário político já era difícil e se tornou ainda mais desafiador com a guerra impopular e o consequente aumento nos preços dos combustíveis e dos bens de consumo.

Os democratas, muitos dos quais condenaram a guerra desde o início como ilegal e uma violação flagrante da separação de poderes, citam rotineiramente o apoio republicano ao conflito como evidência de que o partido não está concentrado nas necessidades dos americanos.

O nervosismo entre os republicanos coincide com o prazo legal atingido nesta sexta-feira (1º) para que Trump pedisse autorização ao Congresso para continuar a guerra —o que ele se recusou a fazer. O momento também coincide com preocupações crescentes sobre o custo do conflito, enquanto os parlamentares se preparam para aprovar uma solicitação de dezenas de bilhões de dólares ou mais para financiá-lo.

Nesta semana, a senadora republicana Susan Collins, do Maine, mudou de posição. Ela enfrenta uma campanha difícil de reeleição e votou pela primeira vez com o Partido Democrata em uma resolução para encerrar a guerra, que acabou fracassando.

Collins passou semanas expressando preocupação com o conflito, mas se opondo a medidas para terminá-lo. Outra republicana, a senadora Lisa Murkowski, do Alasca, ameaçou forçar uma votação nas próximas semanas para autorizar a operação, a fim de impor restrições ao presidente e forçá-lo a definir critérios de saída da guerra.

Outros membros do Partido Republicano rejeitaram a afirmação do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. Ecoado por Trump em carta ao Congresso na sexta-feira (1º), Hegseth disse na quinta-feira (30) que o presidente não precisava buscar aprovação do Poder Legislativo para continuar a guerra após o prazo de 60 dias, em razão do acordo de cessar-fogo firmado com o Irã. O secretário disse que o pacto havia suspendido o tempo estabelecido na lei War Powers Resolution (Lei de Poderes de Guerra), criada na Guerra do Vietnã para limitar o poder do presidente de se envolver em guerras prolongadas e não autorizadas.

Na carta de sexta-feira, Trump afirmou que as hostilidades no Irã haviam “cessado”, mesmo diante de um bloqueio naval do estreito de Hormuz, um ato de guerra sob o direito internacional, e do acúmulo das Forças Armadas americanas na região. Isso não foi suficiente para apaziguar os republicanos que intensificaram seus apelos por um plano definitivo de encerramento do conflito.

O senador Josh Hawley, do Missouri, disse que se Trump não começasse a retirar as forças do Irã ou não apresentasse um argumento jurídico convincente para ignorar a lei, o Congresso precisaria aprovar proativamente uma legislação autorizando a guerra.

“E eu realmente não quero fazer isso, porque não quero abrir caminho para mais conflitos”, disse Hawley, que é advogado constitucionalista, na quinta-feira. “Eu quero encerrar isso.”

Os acontecimentos demonstraram que os republicanos, que têm repetidamente argumentado que o presidente tinha autoridade ilimitada para conduzir o que ele inicialmente caracterizou como uma guerra rápida e decisiva, estão repensando essa posição à medida que o conflito entra em seu terceiro mês.

Enquanto os principais assessores de Trump estão em negociações para encerrar as hostilidades, muitos dos objetivos que o mandatário estabeleceu no início ainda não foram alcançados, e permanece incerto se o cessar-fogo será mantido ou se o presidente ordenará a retomada dos bombardeios. As capacidades nucleares do Irã não foram eliminadas, e o governo liderado por clérigos xiitas permanece intacto e mantém a capacidade de atacar os EUA e seus aliados em toda a região.

“Embora o governo possa apontar para negociações em andamento, os eventos no terreno e a retórica vinda de Teerã contam uma história diferente”, disse Murkowski, senadora do Alasca, que está frustrada há semanas com a falta de resposta da Casa Branca a perguntas básicas do Congresso sobre a guerra.

Do plenário do Senado na quinta-feira, ela ameaçou forçar uma votação neste mês sobre um projeto de lei que autorizaria a guerra, mas “não como um cheque em branco”, já que exigiria que o presidente fornecesse “métricas de sucesso, notificação de quaisquer mudanças nos objetivos” e critérios de saída. A medida, que ainda está sendo redigida, não tem chance de se tornar lei, mas forçaria um debate sobre o avanço da guerra e exigiria que os senadores se posicionassem publicamente a favor ou contra autorizá-la —algo que eles têm evitado desde que os combates começaram, em 28 de fevereiro.

“O presidente deve ter flexibilidade para responder a emergências e ameaças iminentes, e ele tem”, disse Murkowski. “Mas essas não são campanhas militares contínuas como essa em que nos encontramos atualmente.”

A lei de 1973 proíbe o presidente de ordenar que forças americanas entrem em um conflito sem aprovação do Congresso, a menos que os EUA estejam sob ataque, e lhe dá 60 dias para encerrar tal operação se ele não obtiver autorização. Depois disso, a lei determina que ele deve retirar as tropas das hostilidades ou solicitar uma prorrogação única de 30 dias, a menos que o Congresso vote para aprovar o uso continuado de força militar. O prazo legal começou em 2 de março, dia em que Trump notificou formalmente o Congresso sobre a campanha militar, e chegou ao fim na sexta-feira.

Presidentes anteriores de ambos os partidos tentaram contornar a exigência argumentando que a lei não se aplica às operações militares dirigidas por eles. Trump classificou toda a questão de inconstitucional.

“Não acho que seja constitucional o que eles estão pedindo”, disse Trump na sexta-feira, declarando que os EUA estavam a caminho de “uma grande vitória” no Irã. “Não são pessoas patrióticas que estão fazendo esse pedido.”

Alguns republicanos disseram na quinta-feira que queriam ver um parecer jurídico da Casa Branca respaldando a afirmação de Hegseth de que o prazo legal havia efetivamente parado, argumento que especialistas em direito de ambos os espectros ideológicos rapidamente rejeitaram.

O senador John Curtis, republicano de Utah, disse na quinta-feira que não apoiaria a continuação dos combates a menos que o Congresso cumprisse seu papel constitucional de aprovar a continuação das hostilidades.

A Lei de Poderes de Guerra “é clara ao estabelecer que, após 60 dias, a ação militar deve começar a ser encerrada, a menos que o Congresso forneça autorização formal”, disse Curtis em um comunicado após os comentários de Hegseth. A Guerra do Vietnã, acrescentou, “serve como um lembrete permanente da devastação que ocorre quando as linhas de autoridade são borradas ou ignoradas”.

Hawley disse que interpretava a lei como significando que o poder irrestrito do presidente de continuar as hostilidades terminou em 1º de maio, e pediu à Casa Branca que colocasse por escrito ao Congresso qualquer interpretação diferente.

O senador Todd Young, republicano de Indiana, que anteriormente votou para debater o poder de Trump de travar guerra, também pareceu profundamente cético. “O cessar-fogo ainda conta se eles não cessam o fogo? Eu não sei”, disse ele na quinta-feira. “Existe algum precedente legal para isso?”

Trump disse ao Congresso em sua carta de sexta-feira que “não houve troca de tiros entre as forças dos EUA e o Irã” desde 7 de abril, significando que as hostilidades que ele iniciou em 28 de fevereiro “terminaram”.

O argumento pode não satisfazer republicanos céticos, como Young, que disse que a Casa Branca deveria dar aos parlamentares uma explicação de sua leitura inédita da legislação. “Estamos procurando um argumento legal muito forte”, disse Young.



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