O governo de Donald Trump concedeu um contrato sem licitação num valor de até U$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) para a construção de um novo salão de festas da Casa Branca, segundo uma reportagem do Washington Post publicada nesta terça-feira (30).
Segundo o jornal americano, o contrato foi firmado por meio da Residência Executiva, um escritório que é isento das regras que exigem que órgãos federais realizem processos licitatórios competitivos e divulguem publicamente os detalhes dos serviços contratados.
Normalmente, esse escritório é responsável por reparos de rotina, despesas com eventos e pela compra de móveis, obras de arte e outros itens para a residência oficial do presidente.
O contrato foi concedido à Clark Construction, uma empresa sediada no estado da Virgínia que cobrou uma margem de lucro de 3% pelos trabalhos iniciais na parte leste da Casa Branca, onde ficará o salão de festas. Ainda de acordo com o Washington Post, o presidente teria participado diretamente das negociações.
O projeto ainda demorará dois anos para ser concluído. Em outubro, Trump ordenou a demolição da aal este para a construção do projeto, que virou alvo de embate na Justiça.
Em nota enviada ao jornal americano, um porta-voz da Casa Branca afirmou que o contrato foi firmado por meio da Residência Executiva porque esse escritório “será o principal responsável pelo suporte às instalações”.
Um porta-voz da Clark afirmou, em nota, que a empresa atua como contratada do governo federal há mais de 80 anos. “Seguimos os processos estabelecidos de compras e contratação para cada projeto e executamos o trabalho de acordo com o cronograma, o orçamento, os requisitos de entrega e as obrigações contratuais”, diz o comunicado.
Documentos obtidos pelo Washington Post mostram que o governo Trump encarregou a Clark da preparação do terreno e de outros trabalhos preliminares em julho de 2025, meses antes da demolição da ala leste. Esses serviços foram realizados com base em um contrato separado e já existente da Residência Executiva, que a empresa havia conquistado em 2024, durante o governo Biden.
O caso revelado pela reportagem é mais um exemplo da prática do governo Trump de recorrer a contratos sem licitação para acelerar projetos em Washington, como a reforma do espelho d’água em frente ao Memorial Lincoln.
O custo original previsto para o projeto era de US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão).
Antes e depois de demolição da Ala Leste da Casa Branca
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que quer construir um salão de festas no local
– Planet Labs PBC – 26.set.25 e 3.out.25/via Reuters
Em julho de 2025, o governo Trump anunciou planos para a construção do salão de festas luxuoso na Casa Branca. A reforma, considerada ambiciosa e ao mesmo tempo controversa, é um desejo antigo do presidente, que com frequência reclama da falta de espaços para receber convidados na residência oficial, em Washington.
A obra foi anunciada pela secretária de Imprensa do governo, Karoline Leavitt, com previsão de conclusão antes do fim do atual mandato de Trump, em janeiro de 2029.
O projeto ganhou novo impulso após um homem armado invadir o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no último dia 26, forçando a retirada de Trump e dos demais presentes. O presidente e seus aliados usaram o incidente para pressionar pelo avanço das obras, argumentando que o salão, com vidros à prova de balas e recursos de segurança, tornaria desnecessário que o presidente compareça a eventos fora da Casa Branca.




