STJ revoga prisão de ex-professor de direito acusado de crimes sexuais no RS

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CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O STJ (Superior Tribunal de Justiça) revogou a prisão preventiva do advogado e ex-professor da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) Conrado Paulino da Rosa, acusado de cometer crimes sexuais contra dez mulheres no Rio Grande do Sul. Ele nega a acusação.

A decisão pela soltura foi assinada nesta quarta-feira (17) pelo ministro Reynaldo da Fonseca.

O advogado foi preso no início de março, dias após ter sido denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado.

No ano passado, quando a investigação ainda estava em andamento, ele também ficou preso entre setembro e outubro.
Nesta quinta (18), em nota à imprensa, sua defesa afirmou que a prisão preventiva decretada em março pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul era desproporcional e que medidas cautelares “jamais foram descumpridas” pelo réu.

Entre as medidas cautelares, além de tornozeleira eletrônica, estavam a proibição de contato com as vítimas e restrições de circulação no período noturno.

“A decisão [do STJ] reconheceu que houve interpretação equivocada dos fatos utilizados para justificar a prisão preventiva, concluindo que a medida extrema não se mostrava juridicamente adequada diante das circunstâncias concretas do caso”, diz a nota da defesa.

A íntegra da decisão do ministro não foi disponibilizada pelo STJ, devido ao grau de sigilo.

“Embora a defesa sempre tenha respeitado a atuação das instituições e o regular andamento do processo, entende que a decisão do STJ reafirma a necessidade de observância rigorosa dos critérios legais que autorizam a restrição da liberdade de qualquer cidadão”, continua a nota.

Os casos denunciados pelo Ministério Público teriam ocorrido de 2013 a 2025. A investigação da Polícia Civil ouviu depoimentos de 18 mulheres que dizem ter sido vítimas de Conrado e 16 testemunhas antes de ser encaminhada ao Ministério Público. A denúncia envolve 12 supostos crimes.

Nos depoimentos, as mulheres relataram que Conrado criava um ambiente de confiança e proximidade que, segundo elas, era posteriormente utilizado para facilitar a prática dos abusos.

As denunciantes também descreveram episódios de relações sexuais marcadas por agressões físicas, como tapas no rosto sem consentimento, lesões e hematomas devido à força excessiva. Há ainda relatos de violência psicológica, com comentários depreciativos sobre a vida profissional e a aparência das vítimas.

Após o fim dos relacionamentos, segundo alguns depoimentos, ele teria espalhado boatos e distorcido fatos para prejudicá-las profissionalmente.

Conrado foi desligado do quadro de professores da FMP logo após as denúncias.

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