
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Um homem suspeito de participar em janeiro do assassinato de Rafael Ventura Martins, 32, dentro de um restaurante em Porto de Galinhas, conhecida região turística de Pernambuco, foi preso na última sexta-feira (10) em Santa Catarina, na cidade de Porto Belo. Rafael morava em São Paulo e passava férias na região quando foi morto após uma discussão.
O preso é Daniel de Souza, 39, que já era conhecido da Polícia Civil pernambucana por supostamente ser um dos líderes de uma organização criminosa que atua na região.
Em nota encaminhada à reportagem nesta terça-feira (14), o advogado Ivanilson Albuquerque, responsável pela defesa de Daniel, afirmou que o seu cliente irá demonstrar ao longo do processo que “não concorreu para o crime que se apura”.
“Daniel de Souza vem colaborando com a busca da verdade real desde a fase inquisitorial. Possui endereço certo e definido, jamais esteve foragido e apenas exerceu o direito constitucional de defender-se em liberdade”, diz a nota. A defesa também afirma que confia nas instituições e na Justiça e “reafirma a presunção de inocência”.
A morte de Rafael ocorreu em 4 de janeiro, após uma discussão iniciada entre ele e Daniel, dentro do restaurante Caldinho do Nenen. O inquérito policial foi concluído em março e entregue ao Ministério Público, que ofereceu a denúncia contra Daniel e outros dois homens, Edson Paulo da Silva e Kelvyn Michael da Silva. A denúncia foi acolhida em abril pela Justiça Estadual.
Responsável pelo inquérito, a delegada Marina Delgado afirmou que a motivação do crime foi banal. “Teve uma discussão entre a vítima e um líder de uma organização criminosa [Daniel]. Eles se estranharam. E, depois, com a chegada da esposa da vítima ao restaurante, uma das pessoas que acompanhava Daniel fez uma piadinha, e a vítima não gostou. Aí voltaram a entrar em uma briga verbal”, disse ela.
“Conforme a briga foi escalonando, Daniel foi até a vítima e deu uma coronhada”, continuou a delegada. No momento da agressão de Daniel, Kelvyn dispara dois tiros contra a vítima, que morreu ainda no local.
Vídeos feitos por clientes, que na época circularam nas redes sociais, mostraram a tentativa de socorro à vítima logo após os tiros.
“A vítima tem um histórico criminal, mas antigo, e as investigações não apontaram relação disso com o seu homicídio”, afirmou a delegada, acrescentando que Rafael e Daniel não se conheciam. Ela também explica que, embora o autor dos disparos tenha sido Kelvyn, Daniel tinha o domínio do fato e também foi indiciado sob suspeita de homicídio.
Segundo a investigadora, Kelvyn e Edson fugiram imediatamente após os tiros e roubaram um carro de um turista carioca. Daniel ainda permaneceu no local junto com outras pessoas que o acompanhavam, incluindo dois homens armados que agiam como seus seguranças. “Daniel ainda pagou em espécie a conta da mesa no valor de R$ 4.000. Depois saiu naturalmente”, contou a delegada à Folha.
Ao final do inquérito policial, Daniel e Kelvyn foram indiciados sob suspeita de homicídio. Kelvyn também vai responder por roubo, assim como Edson. Os dois seguranças de Daniel não foram identificados ao longo da investigação, segundo a delegada.
Kelvyn foi preso na Bahia no início de junho. Em nota encaminhada à reportagem nesta terça, a advogada Maria Julia Leonel Barbosa afirmou que seu cliente “teve postura colaborativa desde o início das investigações” e que acredita nas instituições “para que o julgamento e apreciação dos fatos ocorra de forma justa e legal”.
“Aproveita-se esta oportunidade ainda para expressar o desejo de Kelvyn em pedir desculpas não só aos familiares e amigos da vítima, mas também à sociedade e, sobretudo, ao seu filho recém-nascido, que amargará o crescimento longe da presença paterna”, continua a nota.
Edson foi assassinado em fevereiro, em circunstâncias ainda não esclarecidas. O caso está sendo investigado em uma delegacia de Jaboatão dos Guararapes (PE).
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