O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manual Albares, disse nesta sexta-feira (26) que três cidadãos espanhóis morreram nos terremotos que atingiram a Venezuela na quarta (24), e outros 99 estão desaparecidos.
O número oficial de mortos dado pelo regime venezuelano é de 235, com 1.520 feridos e 200 pessoas presas nos escombros —esses dois últimos dados não são atualizados desde a tarde de quinta (25). A medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas aumente drasticamente.
O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) disse prever um total de 10 mil mortos após os tremores, de magnitude 7,2 e 7,5. Já a oposição venezuelana compartilhou sites criados espontaneamente para registrar desaparecidos —o número completo seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido.
De acordo com dados do governo espanhol, 147 mil cidadãos do país europeu vivem na Venezuela. Albares, no México junto do rei Felipe 6º para reuniões bilaterais, pediu que os espanhóis em território venezuelano de forma temporária, a turismo ou em viagem de negócios, “entrem em contato com os serviços consulares” para registro.
Madri disse ainda que 59 militares, acompanhandos de cães farejadores, já desembarcaram no país caribenho para auxiliar nas buscas. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez pretende mobilizar um valor inicial de 1 milhão de euros para apoiar os trabalhar da Cruz Vermelha “para atender as necessidades imediatas do povo irmão da Venezuela”, segundo Albares.
Equipes do Chile, México, El Salvador e Suíça também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o primeiro avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com ajuda humanitária decolaria do aeroporto de Guarulhos na manhã desta sexta.
Serão enviados também membros dos corpos de bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de especialistas da Defesa Civil e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), de acordo com comunicado da FAB.
Na quinta, o Itamaraty confirmou a morte de dois brasileiros, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. O governo de Portugal, por sua vez, disse que nove cidadãos morreram e outros 56 estão desaparecidos. Também estão entre os mortos dois cidadãos chineses e um ítalo-venezuelano.
O governo dos EUA disse na quinta que o general Kevin J. Jarrard desembarcou na Venezuela para “supervisionar, planejar e conduzir” operações das Forças Armadas americanas com o objetivo de prestar ajuda humanitária e “salvar vidas”.
O regime venezuelano, comandado por Delcy Rodríguez desde a invasão americana que capturou o ditador deposto Nicolás Maduro, pediu formalmente ajuda de Washington após os terremotos.
Socorristas trabalharam ao longo de toda a madrugada de sexta para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores que disseram que a ajuda oficial tarda a chegar.
“Meu filho de 19 anos está preso embaixo do concreto, e não há máquinas para tirá-lo de lá”, disse Yamileth Jimenez à Reuters na cidade La Guaira, capital do estado homônimo, região mais atingida pelos tremores. Já Suhayl Sarquiz diz ter perdido tudo: “Meu prédio está destruído e não tenho mais nada”, afirma a mulher de 50 anos, que está desempregada.
A moradora Beatriz Rodríguez disse ter perdido um sobrinho, enquanto outro precisou ter as pernas amputadas. O regime venezuelano confirmou que 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas. A ONU estima que 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.




