Trump estuda acusar China de interferência em eleição – 16/07/2026 – Mundo

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja proferir um discurso no horário nobre nesta quinta-feira (16) com foco na segurança eleitoral, repetindo suas reclamações sobre os sistemas de votação e a administração eleitoral americanos, em um momento que precede as eleições de meio de mandato, em novembro.

A Casa Branca está decidindo se as declarações do presidente incluirão a divulgação de informações confidenciais de inteligência relacionadas à intenção ou capacidade da China de interferir nas eleições de 2020 nos EUA, informou a agência de notícias Reuters nesta quarta, citando quatro pessoas próximas à decisão. Algumas autoridades do governo Trump temem que as informações possam ser enganosas, disseram elas.

Trump vem há anos levantando dúvidas sobre os resultados eleitorais, afirmando falsamente que sua derrota em 2020 para o democrata Joe Biden foi fraudulenta. Ele também divulgou outras acusações falsas, incluindo que o voto por correspondência está repleto de fraudes, que as urnas eletrônicas são vulneráveis e que o voto de não cidadãos é generalizado.

Vários tribunais e recontagens de votos não encontraram evidências de fraude em grande escala nas eleições de 2020.

As informações sobre a China, coletadas durante o primeiro mandato de Trump, de 2017 a 2021, não mostraram que Pequim tivesse manipulado ou alterado votos, disseram as fontes à Reuters.

Uma força-tarefa da Casa Branca liderada pelo jornalista conservador John Solomon solicitou recentemente à comunidade de inteligência documentos que descrevessem as informações e passou as últimas semanas analisando-os antes do discurso de Trump, disse uma pessoa familiarizada com o trabalho do grupo.

Ainda não está claro se as redes de televisão concederão tempo de exibição à Casa Branca para o discurso de Trump, uma prática normalmente reservada para discursos importantes sobre questões de interesse nacional. Porta-vozes das três principais emissoras —NBC, CBS e ABC—, bem como das redes a cabo CNN e Fox News, não responderam às perguntas sobre se transmitirão ao vivo as declarações de Trump.

Alguns democratas, incluindo a deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, instaram as emissoras a não transmitir o discurso, argumentando que Trump provavelmente repetirá afirmações já desmentidas. Recusar-se a transmitir o discurso, porém, pode irritar um governo que já exerceu pressão sem precedentes sobre as principais redes de televisão do país.

A versão final do discurso ainda não estava pronta até o meio-dia desta quinta e continuava sujeita a alterações por parte do presidente, disse uma pessoa familiarizada com os planos. Vários altos funcionários da Casa Branca estão preocupados com o que o presidente dirá em seu discurso e como isso pode afetar as chances dos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro, disse a fonte.

“Como de costume, fontes anônimas estão especulando sobre o que o presidente Trump dirá durante seu discurso na noite de quinta”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na quarta. “A verdade é que ninguém sabe ainda o que o presidente Trump dirá no final das contas.”

Nesta quinta, Leavitt voltou a falar sobre o discurso e afirmou que o presidente “fará um anúncio muito importante a respeito da integridade das eleições”. Segundo ela, “tudo o que ele disser será respaldado por fatos e por evidências”.

O Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional não respondeu aos pedidos de comentário sobre a reportagem da Reuters na quarta, e a CIA se recusou a comentar.

Membros democratas da Comissão Permanente de Inteligência da Câmara enviaram uma carta ao diretor interino de inteligência nacional, Bill Pulte, juntamente com os chefes do FBI, da Agência Central de Inteligência e da Agência de Segurança Nacional, alertando-os para que não permitissem que Trump “usasse a inteligência como arma para apoiar afirmações falsas sobre a segurança eleitoral”.

Desde que voltou ao cargo em janeiro de 2025, Trump tem buscado ampliar o poder federal sobre a administração das eleições, que legalmente cabe aos governos estaduais de acordo com a Constituição.

Nos últimos meses, ele também pressionou os republicanos do Senado a aprovar um projeto de lei, o Save America Act, que exigiria documento de identidade com foto para votar e comprovante de cidadania americana para se registrar, além de obrigar os estados a compartilhar informações de registro eleitoral com o governo federal. Democratas e defensores do direito ao voto afirmam que a fraude eleitoral é extremamente rara e argumentam que a legislação suprimiria votos legítimos.

Alguns líderes republicanos têm instado Trump a se concentrar em questões que mais importam aos americanos, incluindo o alto custo de vida, em vez de se concentrar na votação de 2020.

“Não sei o que ele vai dizer”, afirmou o líder da maioria no Senado, John Thune, quando questionado na quarta se aconselharia Trump a evitar falar sobre a eleição de 2020. “A única coisa que posso dizer é que estamos focados na eleição de 2026, pelo menos eu estou, e acho que a maioria dos meus colegas também está.”

Os republicanos enfrentam ventos contrários à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam, com a popularidade de Trump em baixa e os eleitores profundamente frustrados com a guerra contra o Irã e os altos preços da energia que ela acarreta.

Os democratas precisam conquistar apenas três cadeiras republicanas para obter a maioria na Câmara dos Deputados. Eles enfrentam, no entanto, uma batalha difícil para conquistar a maioria no Senado, com disputas decisivas ocorrendo em estados de tendência republicana.

Os democratas estão se preparando para a possibilidade de a Casa Branca tentar manipular as eleições de novembro, disse o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, a repórteres nesta quarta. “Eles sabem que não podem vencer a eleição de forma justa e honesta”, disse ele. “Portanto, não duvidamos que tentem tudo o que puderem.”



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