O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (30) que ainda não decidiu se permitirá que a Ucrânia produza mísseis interceptadores Patriot, lançando dúvidas sobre se Washington concordará com uma das principais prioridades de Kiev.
O americano disse em uma entrevista por telefone ao Financial Times que “não tinha certeza” se Washington concederia à Ucrânia uma licença para produzir mísseis Patriot, acrescentando que “estamos analisando”.
“É uma arma muito extraordinária, e temos que ter um pouco de cuidado com quem licenciamos [para produzi-la]. Na verdade, não licenciamos equipamentos.”
Os comentários de Trump vieram apenas dois dias depois de ele se reunir com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, na Casa Branca. Zelenski afirmou que o encontro foi bom e disse que os dois líderes haviam discutido “a produção de interceptadores Patriot e várias outras ideias”.
O presidente dos EUA havia dito no início de julho, na cúpula da Otan na Turquia, que Washington concederia a Kiev uma licença para produzir o armamento.
O sistema de defesa aérea Patriot é vital para a capacidade da Ucrânia de interceptar mísseis balísticos russos que têm como alvo Kiev e outras cidades. Convencer Trump a considerar uma permissão para que Kiev produza os mísseis representa uma conquista significativa para Zelenski.
Após a reunião na Casa Branca na terça-feira, Zelenski disse que Trump “aceitou que nos dará licenças”.
O ucraniano acrescentou que havia se reunido recentemente com produtores do sistema Patriot: “Tive uma reunião com os representantes da produção. Espero que façamos coprodução. Isso é muito importante.”
As empresas Lockheed e RTX produzem interceptadores Patriot.
Trump disse ao FT que sua atenção estava focada em encerrar a guerra da Rússia na Ucrânia, acrescentando que seus dois enviados, Jared Kushner e Steve Witkoff, visitariam a Ucrânia pela primeira vez nos próximos dias.
“De forma muito simples, queremos que a guerra na Ucrânia com a Rússia termine”, disse ele. “Não estou buscando mísseis. Estamos buscando paz.”
Trump também insistiu que, apesar da disposição do Irã de ampliar a guerra no Oriente Médio atacando alvos em toda a região nos últimos dias, seria apenas uma questão de tempo até que Teerã se submetesse. “Estamos dando uma surra neles”, disse.
Trump também expressou otimismo de que os EUA finalizariam o histórico acordo nuclear civil com a Arábia Saudita, anunciado na semana passada. Ele havia dito após o pacto ser inicialmente anunciado que o pacto estaria condicionado à normalização das relações diplomáticas de Riad com Tel Aviv.
O presidente disse ao FT que havia conversado com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, sobre a normalização das relações, e que é “algo que ambos os países gostam muito. Pode acontecer”. Trump também se reuniu com Netanyahu na Casa Branca na terça-feira.
O príncipe herdeiro, no entanto, já insistiu anteriormente que tal movimento só seria possível se Israel tomasse medidas irreversíveis para viabilizar o estabelecimento de um Estado palestino, o que Israel se recusa a fazer.
Trump também elogiou Andy Burnham, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, por sinalizar que adotaria uma abordagem “pragmática” em relação à exploração de petróleo no mar do Norte, apesar de ter prometido não reverter o compromisso do manifesto do Partido Trabalhista, no poder, de encerrar novas licenças de perfuração na região.
“Uma coisa que parece estar bem clara é que ele [Burnham] quer tornar seu país rico, e ele sabe que pode fazer isso abrindo a exploração de petróleo no mar do Norte”, disse Trump sobre sua primeira ligação com Burnham na semana passada.
“Acho que ele vai fazer isso. Se [o antecessor de Burnham, Keir] Starmer tivesse feito, ele não estaria agora sentado em casa assistindo televisão.”




