Trump não tem nenhuma estratégia para lidar com o Irã – 15/05/2026 – Thomas L. Friedman

17786883906a04a1866fc44_1778688390_3x2_rt.jpg


Caros membros da Otan: Eu entendo. Vocês desprezam o presidente Donald Trump por todas as razões certas. Ele abandonou a Ucrânia. Ameaçou tomar a Groenlândia e anexar o Canadá. Tem mimado Vladimir Putin. Está corroendo as instituições e normas democráticas dos Estados Unidos. Ele insultou cada um de vocês tanto que o chanceler alemão recentemente retrucou que a América de Trump estava sendo “humilhada” pelo Irã. Eu entendo.

Agora superem isso.

Reúnam todas as suas marinhas e sigam imediatamente para o Golfo Pérsico para se juntar à armada americana e deixar claro que o Irã nunca, jamais, terá permissão para decidir quem passa e quem não passa pelo estreito de Hormuz. E, se insistir em tentar fazer isso, não estará enfrentando apenas os EUA e Israel, mas toda a aliança ocidental.

Ficar de braços cruzados e deixar o regime maligno do Irã, com sua ideologia venenosa, fazer refém o estreito de Hormuz —assim como os Estados árabes do Golfo em modernização que o margeiam— manteria a linha de abastecimento de petróleo mais crítica do mundo em estado de instabilidade permanente. Isso não é um assunto menor para a Europa, que depende fortemente do gás do Golfo para aquecer e abastecer suas economias, a menos que queira voltar a depender da Rússia.

Sei que é pedir muito, e seria muito mais fácil se Trump ou o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu tivessem a integridade de pedir desculpas por iniciar esta guerra sem consultar a Otan, sem qualquer estratégia para o dia seguinte caso as coisas não saíssem como planejado e sem sequer uma mínima fachada de legitimação internacional das Nações Unidas.

Infelizmente, esses dois egomaníacos irresponsáveis, que estão longe de ser tão inteligentes quanto pensam, agora se encurralaram. Infelizmente, estamos todos encurralados com eles.

A situação que criaram já é ruim o suficiente. Pior ainda, é difícil ver como esta guerra termina em um acordo de paz que não dê um novo fôlego ao regime islâmico do Irã. Qualquer acordo que exija que o Irã abra mão de seu urânio enriquecido —e estabeleça limites para enriquecimento futuro— também exigiria que Trump desse a Teerã uma injeção de dinheiro suspendendo as sanções.

Mas a última coisa que deveríamos querer é que essas concessões incluam qualquer direito especial para o Irã montar um pedágio para extorquir navios que queiram passar pelo estreito de Hormuz. É exatamente isso que os iranianos estão tentando arquitetar.

Segundo a Lloyd’s List Intelligence, que monitora o transporte marítimo global, Teerã já criou uma nova agência chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico. Com ela, o Irã está “se posicionando como a única autoridade válida para conceder permissão a navios que transitam pelo estreito”, disse a Lloyd’s.

Acrescentou que a nova autoridade iraniana havia enviado por e-mail um formulário de solicitação para navios que buscam passagem, a fim de aprovar o trânsito e cobrar pedágios de cada navio que passar pelo estreito.

Se isso ou algo parecido se tornar o novo normal para a navegação pelo estreito de Hormuz, quem sabe quais outros países acrescentarão pedágios em rotas marítimas críticas ao largo de suas costas?

Trump e Bibi não fizeram nada para merecer um apoio tão elevado da Otan, mesmo que o futuro de Hormuz impacte tão diretamente cada membro da aliança. Isso me leva à minha triste conclusão: nossos aliados da Otan quase certamente rejeitarão este apelo.

O necessário agora pode ser impossível. Trump difamou a Otan tão regularmente, minando a dissuasão da aliança contra a Rússia, iniciou a guerra com o Irã sem um pingo de consulta e foi totalmente indiferente aos devastadores impactos inflacionários e à escassez de energia que a guerra infligiu aos membros da Otan, que os povos desses países podem simplesmente não permitir que seus líderes os ajudem.

Isso é especialmente provável em um momento em que Trump parece cada vez mais desequilibrado a cada dia. Quem quer ficar ao lado dele, além dos bajuladores em seu gabinete e partido?

No domingo, em uma postagem no Truth Social, Trump denunciou a resposta à sua proposta de paz dos “supostos ‘Representantes'” do Irã como “totalmente inaceitável”. Trump, se eles são “supostos Representantes”, por que você está negociando com eles há semanas e de que adiantaria uma resposta positiva?

E talvez eles sejam “supostos” porque você e Netanyahu mataram seus “supostos” superiores, que poderiam ter autoridade para fechar um acordo sério. Você pensou que o regime entraria em colapso, mas em vez disso o endureceu.

Não são apenas os aliados da Otan que me preocupam. São também os aliados árabes do Golfo, que podem ser os maiores perdedores desta guerra.

Dois modelos dominantes estão disputando o futuro do Oriente Médio hoje. “A escolha é entre Dahiyeh ou Dubai“, disse-me Nadim Koteich, escritor e estrategista libanês-emiradense.

Dahiyeh é o nome do subúrbio sul de Beirute, de maioria xiita, um reduto da milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, que busca impor ao Líbano o mesmo tipo de fundamentalismo islâmico antidemocrático, antimoderno, antipluralista e puritano que o regime iraniano impôs em casa.

Os iranianos estão tentando fazer o mesmo no Iraque e no Iêmen, depois de fracassarem na Síria. Qualquer coisa que essa visão de Dahiyeh toca “é um beijo da morte para um país”, como Koteich colocou. “Transforma-o em mais uma versão medíocre do Irã.”

Os Emirados Árabes Unidos foram pioneiros em um modelo diferente, originalmente construído em torno da cidade portuária de Dubai. Proclamou que o futuro pertence aos governos que produzem burocracias responsáveis e não corruptas, e que apoiam o islã moderado, o pluralismo religioso e a abertura ao mundo e a qualquer pessoa ansiosa para trazer seus talentos. Nas últimas décadas, pessoas de todo o mundo árabe, e além, afluíram a Dubai em busca de empregos, turismo e oportunidades. E funcionou.

Os Emirados Árabes Unidos e os sauditas, bareinitas, kuwaitianos e catarianos em modernização estão longe de ser perfeitos. Às vezes fazem coisas muito ruins. Mas comparada a seus predecessores e outros na região, essa nova geração de líderes do Golfo oferece um modelo de modernidade que é invejado e cada vez mais emulado em todo o mundo árabe.

Esta guerra tem sido um desastre para eles, afugentando investidores estrangeiros, turistas e talentos e sobrecarregando-os com um futuro de enormes novas contas de defesa para dissuadir o Irã depois que os EUA forem embora. Todo esse dinheiro será desviado do desenvolvimento econômico.

Embora tenha havido um suposto cessar-fogo entre os EUA e o Irã, Teerã supostamente tem atacado os Emirados Árabes Unidos com mísseis e drones, o que o regime nega.

O modelo de Dubai é precisamente aquele que o Irã quer destruir.

Então, termino onde comecei. Entendo por que nossos aliados da Otan querem ver Trump e Netanyahu colherem o que plantaram. Mas esses dois líderes terríveis semearam ventos —e todos nós colheremos tempestades se o Irã sair disso mais forte.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Source link

Leia Mais

Abono salarial: pagamento para nascidos em maio e junho começa

Abono salarial: pagamento para nascidos em maio e junho começa hoje

maio 15, 2026

17786883906a04a1866fc44_1778688390_3x2_rt.jpg

Trump não tem nenhuma estratégia para lidar com o Irã – 15/05/2026 – Thomas L. Friedman

maio 15, 2026

naom_6a06c6e539dda.webp.webp

“Isso não é o Real Madrid”: Mbappé reclama e Arbeloa o desmente

maio 15, 2026

Petrobras retoma fábricas de fertilizantes para atender 35% da demanda

Petrobras retoma fábricas de fertilizantes para atender 35% da demanda

maio 15, 2026

Veja também

Abono salarial: pagamento para nascidos em maio e junho começa

Abono salarial: pagamento para nascidos em maio e junho começa hoje

maio 15, 2026

17786883906a04a1866fc44_1778688390_3x2_rt.jpg

Trump não tem nenhuma estratégia para lidar com o Irã – 15/05/2026 – Thomas L. Friedman

maio 15, 2026

naom_6a06c6e539dda.webp.webp

“Isso não é o Real Madrid”: Mbappé reclama e Arbeloa o desmente

maio 15, 2026

Petrobras retoma fábricas de fertilizantes para atender 35% da demanda

Petrobras retoma fábricas de fertilizantes para atender 35% da demanda

maio 15, 2026