Em vez dos brindes, a noite marcada pelo jantar dos correspondentes da Casa Branca, em abril, terminou com ruas bloqueadas, jornalistas correndo pelas calçadas de Washington e uma entrevista coletiva convocada às pressas na Casa Branca após a tentativa de assassinato de Donald Trump.
Algumas repórteres, ainda de salto alto, recorreram a patinetes elétricos para atravessar o perímetro de segurança e chegar a tempo da fala do presidente. Três meses depois, o tradicional jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA, na sigla em inglês) ganha uma nova edição.
Remarcado após o ataque a tiros que interrompeu a edição de abril, o evento volta a reunir jornalistas, autoridades e convidados nesta sexta (24), novamente com a presença de Trump, sob um esquema de segurança reforçado e a promessa de que o presidente fará um discurso “com entretenimento”, nas palavras da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
“Trump participará do novo jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, uma celebração da liberdade de expressão e da Primeira Emenda, em homenagem a todos vocês [jornalistas]”, afirmou Leavitt nesta quinta-feira (23).
“Estamos ansiosos para concluir o que ele começou antes que uma desprezível tentativa de assassinato ocorresse. Acompanhem o evento —a promessa é de uma noite muito divertida e memorável”, acrescentou.
Além da nova data, a cerimônia também mudou de endereço. Tradicionalmente realizado no Washington Hilton, o jantar acontecerá desta vez no hotel Waldorf Astoria, no centro de Washington, onde a organização montou um esquema especial de segurança.
Segundo o Serviço Secreto, haverá forte presença policial nos arredores do hotel, bloqueios nas ruas próximas e detectores de metal semelhantes aos utilizados em aeroportos para o acesso ao evento.
“O Serviço Secreto dos EUA está comprometido em garantir a segurança de todos os eventos sob sua proteção, incluindo o jantar remarcado”, afirmou Anthony Guglielmi, chefe de comunicação da agência. Segundo ele, o planejamento foi elaborado em conjunto com a WHCA, a equipe de segurança do Waldorf Astoria e autoridades federais e locais.
Guglielmi afirmou também que a operação incorporou mudanças após o atentado de abril. “Nossa agência evolui e se adapta a partir de cada evento”, disse.
Segundo ele, o Serviço Secreto trabalhou com a WHCA para garantir que os participantes recebam informações rápidas “no caso improvável de uma emergência durante o evento”. Antes de passar pela inspeção, todos os ingressos também serão conferidos pela equipe responsável pela organização da cerimônia.
A WHCA também anunciará, durante o jantar desta sexta, uma homenagem ao policial do Serviço Secreto Victor Gonzales, que estava em um posto de controle no momento em que o atirador tentou romper a barreira em abril. Segundo a corporação, o agente enfrentou o suspeito armado, foi atingido no colete à prova de balas e mesmo assim continuou respondendo à ameaça, ajudando a impedir que o atirador avançasse.
Ele receberá o Prêmio Presidencial de Serviço Excepcional à WHCA —o mesmo prêmio será concedido à equipe do Washington Hilton, hotel onde ocorreu o ataque em abril, em reconhecimento ao apoio prestado aos convidados após o cancelamento abrupto do evento e à preservação de mais de 2.000 refeições não servidas, doadas posteriormente a abrigos da região.
Após o incidente, o evento foi criticado por testemunhas que disseram que houve falta de segurança e de inspeção na chegada. As falhas foram relatadas até mesmo pelo atirador, Cole Tomas Allen, 31, que foi detido no hotel logo após os disparos.
Ele encaminhou à sua família um manifesto, divulgado primeiro pelo New York Post. No documento, mencionou a falta de segurança do evento e afirmou que estava nervoso pelo ataque que estava prestes a fazer. Também disse que os alvos eram autoridades americanas e a maioria das pessoas que “optaram por participar do discurso de um pedófilo e estuprador”, a quem chama de cúmplices.
Apesar de não citar o nome de Donald Trump, as evidências ligam as mensagens ao presidente. O republicano foi alvo de críticas ao longo do último ano pela proximidade que manteve com o abusador sexual Jeffrey Epstein, que morreu enquanto aguardava a conclusão do julgamento, em 2019.
As acusações contra Allen incluem tentativa de assassinato do presidente americano, crime que pode levar à prisão perpétua, além de transporte de arma com intenção criminosa (pena de até dez anos) e de disparo de arma de fogo durante a prática de um crime violento (cuja punição varia de dez anos de prisão à prisão perpétua).
Os promotores dizem que Allen disparou uma espingarda contra um agente do Serviço Secreto dos EUA e invadiu um posto de controle da segurança em um ataque frustrado contra Trump e outros membros do governo durante o jantar da WHCA.
Durante a primeira audiência do caso, em maio, Allen não falou no tribunal, e sua advogada, Tezira Abe, apresentou uma declaração em seu nome. Segundo a agência Reuters, ele usava um macacão laranja e estava algemado.
Foi sua primeira aparição na corte federal de Washington diante do magistrado que presidirá o restante do caso, o juiz distrital Trevor McFadden. Ele se declara inocente de todas as acusações.




