O balanço do potente terremoto duplo que atingiu a Venezuela há duas semanas subiu para pelo menos 3.889 mortos, enquanto o número de feridos permaneceu em quase 17 mil, segundo boletim oficial divulgado pelo regime na quinta-feira (9). É um aumento de 78 mortos em relação às 3.811 vítimas confirmadas na quarta-feira (8).
Os terremotos consecutivos de magnitude 7,2 e 7,5 de 24 de junho deixaram ainda 17.907 pessoas desabrigadas, de acordo com o relatório divulgado pelo presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, no Telegram.
O desastre impactou especialmente o estado costeiro de La Guaira, onde mais de 800 edifícios foram afetados, dos quais 190 sofreram colapso total.
A líder interina Delcy Rodríguez pediu na quarta-feira (8) a liberação de recursos venezuelanos bloqueados no exterior, enquanto a ONU tenta arrecadar quase 300 milhões de dólares para ajudar na recuperação do país.
A Venezuela e o FMI (Fundo Monetário Internacional) negociam como desbloquear o mais rápido possível os ativos financeiros do país para enfrentar as consequências dos terremotos, segundo a porta-voz do organismo, Julie Kozack.
A resposta do regime ao desastre vem sendo alvo de críticas de parte da população, que considera lentas as ações de emergência. Delcy Rodríguez rejeitou as críticas e disse, sem provas, que “laboratórios midiáticos” tentam prejudicar o trabalho das equipes de emergência.
Delcy assumiu a liderança da Venezuela depois da captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro durante uma operação dos Estados Unidos.
Na terça, o governo de Donald Trump defendeu a resposta do regime à crise humanitária.
“O governo interino está cooperando totalmente com nossos pedidos para avançar a resposta humanitária massiva”, disse à imprensa o encarregado de negócios dos EUA em Caracas, John Barrett.
No dia 29 de junho, o coordenador humanitário da ONU na Venezuela informou que o organismo havia iniciado a compra de 10 mil sacos para armazenamento de corpos, indicando a expectativa de aumento no número de vítimas fatais.
O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas solicitou US$ 50 milhões à comunidade internacional para prestar assistência a aproximadamente 500 mil pessoas durante os próximos três meses.
Os terremotos agravaram uma crise humanitária que já afetava o país. Antes do desastre, a ONU estimava que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de algum tipo de assistência humanitária.




