Venezuela: ONU estima que há mais de 50 mil desaparecidos – 26/06/2026 – Mundo

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O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas após os terremotos que atingiram a Venezuela. “Trata-se de uma operação de resgate extremamente complexa”, afirmou à agência de notícias AFP nesta sexta (26).

Autoridades do regime da líder interina Delcy Rodríguez informaram que há pelo menos 920 mortos e 4.300 feridos. O balanço segue aumentando à medida que as equipes de resgate chegam aos prédios destruídos, principalmente na região de La Guaira, a mais afetada.

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira (24) deixaram um cenário de devastação, especialmente nesta região costeira vizinha à capital Caracas, onde moradores denunciam a precariedade das operações de resgate.

La Guaira virou um amontoado de poeira, areia e escombros. Familiares, vizinhos e voluntários tentam avançar entre os destroços, mas dizem precisar de equipamentos especializados para cortar vergalhões e remover grandes blocos de concreto.

Quase 48 horas após os terremotos, equipes internacionais de busca e resgate de pelo menos 17 países começaram a se mobilizar. Socorristas de El Salvador, México, Colômbia e Equador já chegaram ao país. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e suprimentos do Chile e da Suíça.

Equipes brasileiras também estão a caminho da Venezuela, para onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio de aviões com bombeiros e equipamentos médicos.

Em eventos como esse, é praxe que equipes internacionais se coloquem à disposição do governo local ou da ONU, que decidem onde os recursos são mais necessários —seja no resgate direto de pessoas, no estabelecimento de abrigos e hospitais de campanha, ou em tarefas administrativas e logísticas que ajudem familiares a encontrar seus entes.

Nesta sexta, agências da ONU pediram que a comunidade internacional se empenhe em auxiliar a Venezuela para impedir que o desastre natural “se transforme em uma tragédia humana maior”.

As buscas avançam lentamente, e ainda há corpos visíveis sob os escombros. Em Caracas, durante a madrugada desta sexta, trabalhadores iluminados por refletores golpeavam os destroços de um prédio desabado. Nas redes sociais circula uma lista não oficial de desaparecidos com mais de 51 mil nomes.

Em La Guaira, onde fica o principal aeroporto do país, interditado após o terremoto, alguns moradores tentam resgatar sozinhos parentes soterrados. “Ele está ali”, grita Alessandro del Giudice, 23, enquanto procura o pai sob uma montanha de escombros.

Sua avó, Amparo, tenta retirar os destroços com as próprias mãos. “São muitas pedras e, com as mãos, não dá”, lamenta. “As autoridades não servem para nada. Os militares deveriam estar aqui com todo o maquinário que têm”, acrescenta.

A líder, que assumiu interinamente o poder após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro, visitou La Guaira nesta quinta (25) e declarou a região “zona de desastre”. A AFP constatou saques no local.

A líder da oposição e vencedora do Nobel da Paz María Corina Machado pediu a libertação de “todos os presos políticos”, civis e militares, “para que possam ser recebidos por suas famílias nestas horas trágicas”.

Após o presidente Donald Trump prometer ajudar seus “novos e grandes amigos”, os EUA anunciaram o envio de US$ 150 milhões (R$ 819 milhões), além de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.

Um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para supervisionar as operações de resgate e prestar assistência humanitária nas áreas afetadas.

A força dos terremotos foi sentida até na Colômbia e no norte do Brasil. Desde então, mais de 130 réplicas foram registradas. A Venezuela é um país sujeito à atividade sísmica, mas não registrava um terremoto de grande magnitude desde 1997.



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