O rei Charles 3º, do Reino Unido, e a rainha Camilla prestaram homenagens nesta quarta-feira (29) às vítimas do atentado às Torres Gêmeas, em 2001, que completa 25 anos em setembro deste ano. O evento, no memorial de Nova York, foi também uma oportunidade para um breve encontro entre o monarca e o prefeito socialista da cidade, Zohran Mamdani.
O encontro, apesar de não constar na agenda oficial do rei e de ter durado cerca de um minuto, esteve longe de ser irrelevante. O prefeito tem crescido dentro do Partido Democrata como força política mais à esquerda da legenda e em franca oposição ao presidente Donald Trump, que recebeu Charles 3º na segunda (28) e é grande admirador da realeza britânica —muito embora Mamdani tenha operado essa oposição com pragmatismo desde que foi eleito, por exemplo visitando o republicano na Casa Branca, onde foi elogiado.
Além disso, Mamdani não esconde certo desdém pela realeza britânica, algo que vem de sua formação política e intelectual, em particular de seu pai, o antropólogo indiano Mahmood Mamdani, teórico e grande crítico do colonialismo.
Em entrevista coletiva nesta quarta, antes do evento, Mamdani foi questionado sobre o que diria ao rei Charles caso tivesse oportunidade de conversar com ele. A resposta do socialista veio carregada de críticas: “Provavelmente o encorajaria a devolver o diamante de Koh-i-Noor”, afirmou, em referência a uma das pedras preciosas mais célebres do mundo, com registros que remontam a séculos no subcontinente indiano e atualmente sob posse da monarquia britânica.
Na cerimônia em Nova York, o monarca e a rainha depositaram flores ao lado do espelho d’água do memorial, cumprimentaram policiais e conversaram com familiares de vítimas do atentado. Depois, deixaram o evento para outros compromissos na cidade.
Foi também a primeira vez que um monarca britânico visitou o local desde o atentado que matou mais de 60 cidadãos do Reino Unido, gesto que, como é característico da monarquia, carrega uma simbologia que vai além do mero protocolo.
Embora sem um discurso público de Charles, a presença inédita do monarca foi um lembrete ao chefe de Estado americano sobre o “relacionamento especial” entre Estados Unidos e Reino Unido e o fato de Londres ter de apoiar Washington quando evocado o artigo 5º da Otan para combate ao terrorismo.
Donald Trump e a aliança militar ocidental vivem momentos de atrito por críticas do republicano à ausência de aliados na atual guerra no Irã, inclusive com decisões de alguns de seus membros, como a Espanha, que proibiu o uso de suas bases militares pelos EUA para o conflito.
O governo do trabalhista Keir Starmer no Reino Unido tem sido mais comedido ao se opor à guerra e não bloqueia o uso de bases britânicas pelos americanos, ainda que com restrições. Starmer é mais vocal apenas ao manifestar preocupação com os impactos econômicos globais do conflito.
Trump pressiona o aliado por mais envolvimento e critica abertamente Londres. “Quando precisamos deles, não estavam lá, e ainda não estão”, afirmou Trump durante entrevista em abril na qual disse que a relação entre os países já havia sido melhor.
Ele também ameaçou rever o acordo comercial com o Reino Unido após seu tarifaço, e o governo americano discute ainda analisar sua posição favorável à soberania britânica nas ilhas Malvinas, uma disputa centenária com a Argentina —atualmente muito próxima da Casa Branca com Javier Milei na Casa Rosada.
Charles visitou o memorial em Nova York depois de ter discursado no Congresso americano na terça-feira (28), quando também se reuniu com Trump e participou de um jantar de Estado na Casa Branca. Ele chegou ao país na segunda (27).




