
RIO BRANCO, AC (FOLHAPRESS) – O velório da coordenadora de ensino Alzenir Pereira da Silva, 52, reuniu um pequeno grupo de amigos e familiares na casa onde ela morava no bairro Cidade Nova, em Rio Branco (AC). Ela foi uma das duas funcionárias mortas por um estudante de 13 anos durante um ataque a tiros na escola. O adolescente foi apreendido. Outras duas pessoas ficaram feridas.
Dona Zena, como era conhecida, trabalhava no colégio havia 19 anos. Ela deixa dois filhos e seis netos. Uma das filhas, Taciane, está grávida de nove meses.
Casado com Alzenir há 33 anos, Roberto Silva descreveu a esposa como insubstituível e carinhosa. “Ela era minha base, era meu tudo, era manutenção de tudo que eu fazia”, contou. “Era uma boa mãe, uma boa avó, uma ótima esposa. Nenhuma pessoa vai substituir ela, nem chega nem nos pés dela. Está para nascer uma pessoa igual ela”.
Silva disse ainda que semanas atrás a esposa comentou sobre uma suposta ameaça de ataque à escola, mas o assunto caiu no esquecimento: “Ela comentou. Faz tempo, passou e deu como esquecimento, que dava para ter tomado providências a escola”, pontuou. Ele não detalhou quais seriam as circunstâncias da ameaça e quem a teria feito.
Sobrinha de Alzenir, Tayla Albuquerque falou da tia, com quem esteve horas antes da tragédia. “Ela sempre estava comigo, principalmente agora que a minha avó, a mãe dela, está doente. Ela vinha aqui em casa um dia sim, outro não. Todos os domingos ela tava aqui fazendo almoço.”
O sepultamento está previsto para ocorrer no cemitério São João Batista, em Rio Branco.
O governo estadual exonerou o padrasto do adolescente. A pistola utilizada pertence ao homem, segundo as investigações. Ele ocupava um cargo em comissão.
Em nota, a defesa do padrasto afirmou que o adolescente teve acesso indevido à arma de fogo, “sem autorização ou conhecimento prévio”, e que o investigado “não teve qualquer participação, incentivo ou anuência” nos atos praticados pelo enteado.
Já o velório da outra vítima, Raquel Sales Feitosa, 37, ocorre na capela de uma funerária, no bairro Bosque, em Rio Branco.
Familiares e amigos do curso de enfermagem, onde ela estudava, prestaram várias homenagens. Raquel cursava o 7º período do curso, que funciona na mesma escola onde ocorreu a tragédia.
Vestidos de branco, os colegas levaram o jaleco que ela usava nas aulas e cantaram a música religiosa “Noites Traiçoeiras” ao lado do caixão dela.
Casada com Gilvan Feitosa, Raquel deixa o filho Artur, 7. Ela conciliava o trabalho de coordenadora de ensino com a faculdade de enfermagem, que funciona no mesmo prédio onde a tragédia aconteceu. Raquel iria se formar em dezembro deste ano.
“O sentimento é de tristeza e de revolta pelo acontecido, uma situação que a gente jamais esperava que acontecesse na nossa instituição. E a Raquel era uma menina muito dedicada, trabalhava durante o dia e à noite era aluna de enfermagem”, disse o professor e amigo de Raquel, Arialdo Santana.
Ela deve ser sepultada também pela tarde no cemitério Morada da Paz.
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