Os ataques de Israel no Líbano já mataram 380 pessoas desde o início do cessar-fogo na guerra entre o Estado judeu e o grupo extremista Hezbollah, iniciado em 17 de abril, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Ministério da Saúde libanês à agência de notícias AFP.
Entre as vítimas estão 22 crianças e 39 mulheres, ainda segundo a pasta. Ao todo, cerca de 2.900 pessoas foram mortas no Líbano desde o início do conflito, em 2 de março.
Apesar da trégua, Israel continua bombardeando o território libanês. Pelos termos do acordo de cessar-fogo, divulgados pelos Estados Unidos, o governo israelense mantém o direito de agir contra ataques considerados “planejados, iminentes ou em andamento”.
Tel Aviv justifica as ofensivas ao vizinho apontando supostas violação da trégua por parte do Hezbollah, uma acusação recorrente de ambos os lados ao longo do conflito. Já as autoridades libanesas afirmam que as ofensivas são premeditadas.
Na campanha atual, Tel Aviv também informou que pretende consolidar uma zona-tampão no sul libanês com o objetivo de garantir a segurança dos cidadãos israelenses. Assim, além das ofensivas aéreas, tropas israelenses vêm operando atrás da chamada “linha amarela”, uma faixa localizada cerca de 10 km ao norte da fronteira entre os dois países.
Pelo menos dois brasileiros foram mortos em território libanês. As vítimas, mãe e filho, foram atingidos num ataque atribuído a Israel e ocorrido em 26 de abril. O pai da família é libanês e também foi morto. Outro filho do casal, brasileiro, foi hospitalizado, segundo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além das mortes, pelo menos 1 milhão de pessoas teve de ser deslocada devido às ofensivas, que configuram uma catástrofe humanitária, de acordo com as Nações Unidas.
Grande parte fugiu do sul do Líbano, maior alvo dos bombardeios israelenses, e foi se refugiar em Beirute. A capital do Líbano transformou-se em uma cidade de trânsito ainda mais caótico, com quedas de energia e problemas de abastecimento.
O conflito entre Israel e Hezbollah é um desdobramento da guerra atualmente em curso contra o Irã, que financia o grupo extremista libanês.
De um lado, o regime iraniano bloqueia o estreito de Hormuz como retaliação aos embargos americanos e em tentativa de usar, na guerra, a força de que dispõe; de outro, Washington e Tel Aviv buscam derrubar a teocracia e acabar com seu programa nuclear —embora os objetivos dos dois países não estejam totalmente evidentes e sejam, por vezes, conflitantes.




