A baleia que ficou encalhada durante semanas na costa da Alemanha foi libertada neste sábado (2) no mar do Norte, informou à agência de notícias AFP uma organizadora da missão de resgate, que rebocou o animal em uma balsa.
Apelidada de Timmy pela mídia alemã, a baleia foi encontrada em 23 de março em um banco de areia próximo à cidade de Lübeck, no norte do território alemão. A jubarte se soltou várias vezes, mas voltava a ficar presa. Alguns especialistas consideravam que o animal já estava em agonia e que tentativas de resgate seriam inúteis.
No entanto, diante do interesse e da empatia despertados por Timmy, dois empresários decidiram lançar uma última operação para rebocar a baleia da costa do Báltico até o mar do Norte.
Karin Walter-Mommert, uma das empresárias que financiou a iniciativa, disse à AFP que Timmy foi solta da balsa de reboque em frente à costa da Dinamarca.
O animal expirou ao sair da estrutura e agora nada de forma autônoma e livre, acrescentou ela. Por enquanto, ele está indo na “direção correta” e “deveria continuar contornando a costa norueguesa em direção ao Ártico”.
O retorno do animal ao mar é o desfecho de uma saga que manteve a Alemanha em suspense desde o final de março. Desde que encalhou pela primeira vez, a baleia se tornou um fenômeno nacional. Canais de televisão, mídia digital e diversos perfis de redes sociais acompanharam as operações de resgate.
A decisão das autoridades de abandonar as tentativas de resgate, no início de abril, provocou indignação. Depois, elas aceitaram o plano financiado pelos dois empresários milionários.
O plano de resgate também não ficou isento de críticas. Vários especialistas disseram que o animal estava muito debilitado e que a operação com a balsa apenas aumentaria seu sofrimento.
Um grupo de especialistas do Museu Oceanográfico Alemão chegou a dizer que soltar o animal debilitado em alto-mar poderia levar ao seu afogamento, já que baleias precisam ser capazes de se mover livremente para respirar o ar atmosférico pela superfície.
Dois veterinários que examinaram o mamífero, entretanto, disseram que ele era “transportável do ponto de vista médico”. O projeto do resgate recebeu aval do ministro do Meio Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus (cargo equivalente a secretário), embora seja conduzido por uma equipe privada.
Segundo a empresária Walter-Mommert, a baleia apresentava na manhã deste sábado “pequenos ferimentos, provavelmente causados pelo transporte em mar agitado, mas apenas superficiais”.
Um transmissor GPS permitirá acompanhar a trajetória de Timmy. Antigamente caçadas pelos humanos, até quase serem extintas, as baleias-jubarte se recuperaram e hoje correm risco baixo de desaparecer, embora duas subpopulações ainda sejam consideradas ameaçadas.



