Após vitória recorde de Donald Trump nas primárias do estado de Iowa, o presidente dos Estados Unidos e provável candidato à reeleição pelo Partido Democrata, Joe Biden, afirmou que seu rival político é o favorito entre os republicanos para disputar a Casa Branca em 2024. Ao acrescentar que a corrida eleitoral se dará contra extremistas, o atual chefe do Executivo americano pediu mais recursos para sua campanha.
“Parece que Donald Trump acabou de ganhar em Iowa. Ele é o claro favorito do outro lado neste momento”, escreveu Biden nas redes sociais nesta terça (16), em mensagem acompanhada de um link para doação. “Mas o problema é o seguinte: esta eleição sempre seria você [eleitor] e eu contra os republicanos extremistas do Maga [sigla para Make America Great Again, slogan do ex-presidente].”
Confirmando expectativas, Trump venceu com facilidade a primeira batalha pela nomeação republicana da corrida pela Casa Branca, em Iowa, na segunda-feira (15). Com mais de 95% dos votos contados, o ex-presidente tem 51% de apoio —maior percentual já obtido em uma disputa do partido. A distância para Ron DeSantis, que teve 21,2% dos votos, foi de praticamente 30 pontos percentuais, outro número inédito.
O resultado fortaleceu a perspectiva de um novo embate entre o empresário e Biden em novembro. Nas eleições de 2020, em que acabou derrotado por Biden, o republicano venceu o democrata em Iowa.
Levantamento feito pelo americano Wall Street Journal divulgado no mês passado mostrou o republicano com 37% das intenções de voto, seis pontos à frente do democrata, com 31%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Desde meados do ano, Biden tornou sua política econômica, chamada de “Bidenomics”, seu carro-chefe de campanha. Apesar da repetição do mantra da melhora da economia discurso após discurso nos últimos meses, mais da metade dos eleitores têm uma visão negativa do programa, segundo o Wall Street Journal. O democrata, portanto, deve concorrer à Casa Branca mais desgastado do que no pleito anterior.
Trump, por sua vez, repetiu após a vitória em Iowa as prioridades de seu eventual novo mandato: perfurar petróleo, “selar a fronteira”, que está sendo “invadida por milhões de pessoas”, combater o crime, “resgatar a economia” e acabar com a dívida pública.
Trump é réu em quatro processos criminais, e a lista de problemas com a Justiça pode atrapalhar sua campanha, com as datas dos julgamentos se misturando com debates e votações nas primárias.
A acusação de insurreição é considerada a principal brecha para que Trump seja impedido de concorrer novamente. No mês passado, a Justiça do Maine e do Colorado barraram o republicano de participar das primárias republicanas sob o argumento de que ele teria cometido insurreição —o ex-presidente recorreu das decisões.
A 14ª emenda da Constituição americana impede indivíduos que já tenham feito um juramento para proteger a Carta Magna de ocuparem um cargo público caso cometam “insurreição ou rebelião”.
Após as alegações de fraude, sem provas, sobre as eleições de 2020, e a invasão ao Capitólio em 6 de janeiro, em que apoiadores de Trump tentaram impedir a confirmação da vitória de Joe Biden, muitos juristas e entidades passaram a argumentar que a 14ª Emenda se aplicaria ao ex-presidente.
Ainda que diversos outros processos pesem contra ele —Trump é, afinal, o primeiro ex-presidente indiciado por um crime na história do país—, os EUA não possuem uma lei equivalente à da Ficha Limpa, que no Brasil impede a candidatura de condenados na Justiça, alvos de cassação de mandato ou que renunciaram.
A vitória expressiva do ex-presidente em Iowa, contudo, limita o horizonte de outro nome alcançar a nomeação do Partido Republicano. Vivek Ramaswamy, quarto lugar na votação, declarou sua saída das primárias e apoio a Trump após a divulgação dos resultados.




