Graham Platner, candidato do Partido Democrata ao Senado dos Estados Unidos pelo Maine, anunciou nesta quarta-feira (8) sua desistência da corrida, na qual ele era favorito. Platner estava sob imensa pressão do partido depois de ter sido acusado por uma ex-companheira de tê-la estuprado em 2021.
Em um vídeo divulgado no X, Platner voltou a negas as acusações, que chamou de “mentirosas e politicamente motivadas”. Entretanto, o ex-fuzileiro naval e pescador de ostras disse que, graças à decisão de seu partido de cortar o financiamento de campanha após as acusações virem à tona, permanecer na disputa era inviável.
“Os que estão no poder estão usando essas acusações como uma desculpa para retirar de nós as coisas que precisamos para concorrer”, disse Platner no vídeo. “Queria que você [eleitor] pensasse no que faria se, como pessoa comum, forças poderosas trabalhassem contra você para acusá-lo da pior coisa que uma pessoa pode fazer, e não fosse verdade”, afirmou.
“Vamos suspender as operações da campanha. Isso é muito difícil, porque sei que podem entender isso como admitir culpa, mas esse certamente não é o caso”, prosseguiu o político. “Eu sinto imensa responsabilidade por todas as pessoas que trabalharam tanto para chegarmos até esse ponto.”
Os eleitores americanos vão às urnas em novembro deste ano para renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. A vaga no estado do Maine, hoje ocupada pela republicana Susan Collins, é considerada uma das mais competitivas e pode ser essencial para que os democratas reconquistem controle da Casa.
Platner era o favorito na corrida, e a lei eleitoral do Maine diz que o partido precisa indicar um substituto até o próximo dia 27. Agora, os setores progressista e moderado da sigla devem disputar a vaga —Platner fazia parte da ala à esquerda do partido e tinha o apoio de figuras como o senador Bernie Sanders.
Líderes do partido, no entanto, pediram que ele desistisse da candidatura após novas acusações de agressão sexual. De acordo com uma reportagem do site Politico, Jenny Racicot, uma moradora do Maine de 41 anos e ex-companheira do candidato, acusou-o de forçá-la a manter relações sexuais no fim de 2021. Platner nega a acusação.
A reportagem do Politico foi publicada após outras polêmicas de Platner, relacionadas a antigos comentários online, mensagens de teor sexual, uma tatuagem com conotação nazista que depois foi coberta, além de acusações de violência contra mulheres.
Platner afirmou ter enfrentado dificuldades vinculadas a um transtorno de estresse pós-traumático não diagnosticado e ao abuso de álcool, mas negou ter agredido fisicamente ex-parceiras. O candidato falou abertamente sobre sua luta contra o transtorno, a depressão e o consumo de álcool, problemas que, segundo ele, decorreram de seu tempo nas Forças Armadas.
À medida que acusações contra ele foram publicadas —incluindo seus comentários de menosprezo sobre estupro e observações depreciativas sobre mulheres feitos na internet, bem como uma tatuagem amplamente reconhecida como símbolo nazista—, ele afirmou que seu comportamento passado não reflete quem ele é hoje. Ele pediu aos habitantes do Maine que não o julguem pela “pior coisa que disse na internet há 14 anos”.
Uma das mulheres que o acusou de agressões e disse ter um relacionamento abusivo com ele é Lyndsey Fifield, uma conservadora da Virgínia que trabalhou para grupos de direita e campanhas republicanas. Ela disse ao jornal The New York Times recordar-se dele como alguém que demonstrava um “desprezo arrogante pelas emoções das mulheres”.




