Cuba aceita US$ 100 milhões dos EUA em meio a crise – 21/05/2026 – Mundo

Cuba aceita US$ 100 milhões dos EUA em meio a


O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (21) que o regime de Cuba aceitou a ajuda de US$ 100 milhões oferecida pelo governo de Donald Trump à ilha caribenha.

O regime liderado por Miguel Díaz-Canel já havia sinalizado durante a última semana que avaliava aceitar a oferta americana. Segundo a imprensa dos EUA, Trump ofereceu o dinheiro com a contrapartida de que este será repassado à Igreja Católica, que será, portanto, a responsável pelo endereçamento no território cubano.

Ainda não estão evidentes outras possíveis contrapartidas que o acordo entre os países engloba. Apesar disso, Rubio afirmou que a probabilidade de um acordo pacífico e negociado entre os países não é alta nesse momento.

Segundo ele, os EUA sempre preferem uma solução negociada e pacífica. Sem detalhar a que tipo de acordo se referia, porém, afirmou: “Sendo honesto, a probabilidade de isso acontecer, considerando com quem estamos lidando agora, não é alta. Mas se eles mudarem de ideia, estamos aqui. E, enquanto isso, continuaremos fazendo o que for necessário”.

Em entrevista a repórteres, ainda disse que “o futuro de Cuba pertence ao seu povo, mas a ameaça à segurança nacional” diz respeito aos EUA. “Se houver ameaça à segurança, Trump é obrigado a resolver”, acrescentou.

Rubio, que é filho de imigrantes cubanos nos EUA, já havia publicado um vídeo em espanhol em que oferecia o dinheiro como um “novo caminho” ao povo cubano.

O governo Trump fez a oferta após meses de crise generalizada em Cuba, que sofre com falta de combustíveis e, consequentemente, de energia elétrica. Os EUA impuseram um bloqueio de petróleo em janeiro que agravou a situação econômica e humanitária da ilha.

Desde então, o governo do republicano impôs sanções a diferentes funcionários e pessoas ligadas ao regime cubano. Washington afirma que a ilha representa uma ameaça à segurança nacional.

Desde que teve início o bloqueio petroleiro, os EUA só permitiram a chegada a Cuba de um navio russo com cerca de 100 mil toneladas de petróleo, no fim de março.

No início desta semana, um novo carregamento de ajuda humanitária do México chegou à ilha. Este foi o quinto envio do governo mexicano desde fevereiro. No entanto, ao contrário dos carregamentos anteriores transportados por navios da Marinha mexicana, desta vez foi um navio mercante que fez a viagem.

No ato de recebimento, o embaixador mexicano em Cuba, Miguel Ignacio Díaz Reynoso, destacou que o navio transportava 1.700 toneladas de ajuda humanitária para a ilha, provenientes do governo mexicano, de organizações civis daquele país e também do Uruguai.

A relação do país caribenho com os EUA têm se deteriorado e atingiu um novo ponto de tensão nesta quarta, com o indiciamento do ex-líder Raúl Castro na Justiça americana. O governo Trump o acusou por seu suposto envolvimento na derrubada de dois aviões civis pela Força Aérea de Cuba em 1996. Ele enfrenta quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave, segundo documentos judiciais do caso.

O líder Díaz-Canel afirmou que o indiciamento é uma “manobra política, desprovida de qualquer fundamento legal” e também alertou, em paralelo, que seu país tem o direito “legítimo” de responder a uma possível agressão dos EUA —a possibilidade tem sido ventilada também pela similaridade com a posição que os EUA adotaram nas semanas anteriores à captura de Nicolás Maduro, na Venezuela.

O regime de Cuba também condenou a ação americana e afirmou se tratar “de um ato desprezível e infame de provocação política, que se baseia na manipulação desonesta do incidente”. O comunicado recapitula os ocorridos da época e afirma que a resposta cubana “à violação de seu espaço aéreo constituiu um ato de legítima defesa”.

Essa acusação, segundo o regime, “soma-se às tentativas desesperadas de elementos anticubanos de construir uma narrativa fraudulenta no esforço de justificar a punição coletiva e impiedosa contra o nobre povo cubano”.

Antes disso, no entanto, Trump já havia sinalizado que um acordo diplomático poderia ser alcançado. Na terça, o americano afirmou que poderia ajudar a ilha independentemente de haver ou não uma mudança de regime —vontade que expressara semanas antes.

“Acho que sim”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, ao ser questionado se acreditava que um acordo diplomático com Cuba poderia ser alcançado. “Cuba está nos procurando. Eles precisam de ajuda. Mas Cuba é uma nação fracassada. Cuba precisa de ajuda, e nós faremos isso.”



Fonte CNN BRASIL

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