Apesar de um cessar-fogo anunciado entre Israel e Líbano nesta quarta-feira (3), as Forças Armadas israelenses voltaram a bombardear posições no sul do país vizinho na quinta (4), com Tel Aviv dizendo ter apoio dos Estados Unidos para atacar Beirute e afirmando que a trégua depende da interrupção de ataques do Hezbollah.
A milícia apoiada pelo Irã não participou das negociações e não se comprometeu com a interrupção dos combates, limitando-se a exigir que o governo libanês abandone as conversas com Israel, mediadas pelos Estados Unidos.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, disse que o acordo anunciado na quarta é “uma capitulação e uma derrota”. O grupo manteve ataques contra o território israelense nas últimas semanas, ignorando um cessar-fogo anterior acordado entre Tel Aviv e Beirute.
Em nota, o governo Donald Trump disse que Israel e o Líbano concordaram “em avançar rapidamente na criação de zonas-piloto nas quais as Forças Armadas Libanesas assumirão o controle exclusivo do território” ao sul do rio Litani, área de forte atuação do Hezbollah. O comunicado afirmava ainda que a trégua está condicionada ao fim definitivo de ataques da milícia.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, disse que a trégua negociada na quarta é a “última chance” para uma paz duradoura.
Nesta quinta, um bombardeio israelense no leste do Líbano matou três pessoas e outro ataque vitimou um motorista no sul, de acordo com a imprensa local. Um ataque de artilharia também matou um capacete azul da ONU e feriu outros dois —a força de paz das Nações Unidas não disse de onde partiu o bombardeio, com Israel acusando o Hezbollah.
Drones também foram vistos sobrevoando Beirute, alvo de repetidos bombardeios israelenses nas últimas semanas. Trump havia dito na quarta que Israel não atacaria mais a capital libanesa durante o cessar-fogo supostamente em vigor.
O ministro da Defesa de Israel, entretanto, disse que suas Forças Armadas têm “liberdade de ação, com o apoio dos EUA, para atacar Beirute em resposta a ataques contra comunidades e território israelenses”. Israel Katz disse ainda que a ocupação do sul do Líbano, incluindo o castelo histórico de Beaufort, continuará “pelo futuro próximo”, sem que os moradores libaneses tenham permissão para retornar.
A campanha militar israelense já expulsou 1,2 milhão de libaneses de suas casas no sul do país, a maioria muçulmanos xiitas, parcela da população que mais apoia o Hezbollah. Israel vem destruindo casas e infraestrutura civil na região em ações que, segundo a Anistia Internacional, podem configurar crimes de guerra.
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, que enfrenta uma eleição em outubro, sofre pressão da extrema-direita israelense que sustenta seu governo no Parlamento para que aja com ainda mais força no Líbano. O ministro da Segurança Nacional, o extremista Itamar Ben-Gvir, disse que o cessar-fogo é “um grave erro” e citicou a suposta promessa de Israel de não atacar mais Beirute. A oposição disse que Netanyahu “abandonou a soberania” israelense ao acatar o pedido de Trump.
O presidente americano, por sua vez, negocia o fim da guerra contra o Irã e precisa da cooperação de Israel para que a guerra no Líbano não atrapalhe as negociações com Teerã, patrono do Hezbollah. O regime iraniano já disse que não aceitará qualquer acordo que não contemple a situação libanesa e busca uma retirada completa de soldados israelenses do sul do país como parte da trégua final com os EUA.




