O rei Charles 3º falou de “momentos de incerteza” em meio a guerra no Irã e na Ucrânia e sobre a tentativa de ataque a Donald Trump durante discurso, nesta terça-feira (28), em Washington. A fala marca o segundo monarca britânico que discursa no Congresso dos Estados Unidos. Antes, sua mãe, a a rainha Elizabeth 2ª, falou diante a sessão em 1991.
“Nos encontramos em um momento de grande incerteza, em momento de conflito da Europa ao Oriente Médio que impõem desafios imensos à comunidade internacional e o impacto é sentido nas comunidades dos nossos próprios países”, afirmou o monarca, que foi acompanhado de aplausos a cada trecho do discurso.
Ele também citou que a sua visita aos EUA acontece poucos dias após a tentativa de ataque durante o jantar de correspondentes da Casa Branca, no último sábado.
“Tais atos de violência nunca terão sucesso”, afirmou ele em tom pacificador. “Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam os desacordos que possamos ter, estamos unidos no nosso compromisso de defender a democracia, proteger todos os nossos povos do mal e saudar a coragem daqueles que diariamente arriscam suas vidas no serviço de nossos países.”
Charles também citou a mãe, rainha Elizabeth 2ª, e afirmou que ao discursar no Congresso não conseguia deixar “de pensar na minha falecida mãe”, que “também recebeu esta distinta honra e igualmente falou sob o olhar vigilante da Estátua da Liberdade acima de nós”.
O monarca afirma que, diferente de 1991, hoje o mundo se encontra em uma nova era “é mais volátil e mais perigosa do que o mundo ao qual minha falecida mãe se dirigiu, nesta Câmara, em 1991”. Em diferentes momentos, Charles arrancou risada dos presentes e soube conduzir a plateia de forma positiva, sem protestos contra ou vaias.
Em discurso ao Congresso dos Estados Unidos, o rei Charles III reforçou a importância da aliança entre Reino Unido e EUA como pilar da segurança ocidental, lembrando a resposta conjunta aos atentados de 11 de setembro como símbolo de uma cooperação que atravessa mais de um século de guerras e crises internacionais.
O monarca afirmou que a mesma coesão é hoje necessária diante da guerra na Ucrânia, defendendo o papel da OTAN na busca por uma paz “justa e duradoura”, em um momento de incertezas sobre a solidez da aliança.
O trecho chama a atenação porque ocorre em meio a tensões políticas dentro da OTAN, agravadas por críticas recorrentes do presidente Donald Trump ao nível de contribuição dos aliados europeus, o que reacende dúvidas sobre o futuro da coesão transatlântica.
Além de edeputados e senadores republicanos e democratas, também estive presente o vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, que também preside o Senado.
Mais cedo, durante um evento na Casa Branca com a presença dos monarcas, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um discurso e relembrou que sua mãe, nascida na Escócia, amava a família real e disse que ela tinha um “crush” em Charles. “Me pergunto o que ela está pensando agora”, disse ele, que é um autoproclamado fã da família real britânica.
Ele ainda prestou homenagem a história dos países —a viagem dos monarcas é parte das comemorações dos 250 anos da independência dos EUA e afirmou que “antes de os americanos terem uma nação ou uma Constituição, primeiro tivemos uma cultura, um caráter e um credo”.
“Antes mesmo de proclamarmos nossa independência, os americanos carregavam dentro de si o mais raro dos dons — a coragem moral — e ela veio de um pequeno, porém poderoso, reino do outro lado do mar”, disse Trump.
Também disse que “os americanos não tiveram amigos mais próximos do que os britânicos”, elogiou Charles, a relação especial entre as duas nações e disse acreditar que o “laço precioso” entre ambos continuaria. O presidente ainda afirmou que os EUA e o Reino Unido são as duas nações “mais excepionais que o mundo já conheceu”.
Aos repórteres presentes no local, o presidente afirmou que o encontro foi muito bom. “Ele é uma pessoa fantástica, eles são pessoas incríveis e foi realmente uma honra.”
Pelas redes sociais, o republicano manteve o bom humor e repostou uma reportagem do Daily Mail, que mostra que Trump e o rei são primos distantes. “Que legal, eu sempre quis morar no Palácio de Buckingham!!! Vou conversar com o rei e com a rainha sobre isso em alguns minutos”, escreveu Trump.
Apesar dos discursos amistoso do rei no Congresso e de Trump, o momento atual é marcado por tensão entre EUA e Reino Unido em meio a guerra do Irã. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou ajudar os EUA em meio ao conflito e foi alvo de duras críticas de Trump.
Além disso, o caso Epstein também é um ponto incômodo, uma vez que o ex-princípe Andrew, irmão de Charles, perde o título após envolvimento no escândalo sexual ligado a Jeffrey Epstein, acusado de exploração sexual.
As tensões são diferente da época do discurso da rainha Elizabeth 2ª no anos 1990. Na época, os EUA eram governadores pelo presidente George Bush e a fala da rainha, que morreu em 2022, enalteceu o momento que os países viviam após a guerra do Golfo com EUA e Reino Unido lado a lado —o conflito teve início em 1990 e encerrou no início do ano seguinte, que começou quando o Iraque, sob Saddam Hussein, invadiu e anexou o Kuwait.
A manobra ameaçava o equilíbrio no Oriente Médio e colocava em risco uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo. No discurso de mais de 30 anos atrás, ela elogiou a “coragem e habilidade” das Forças Armadas dos Estados Unidos e do Reino Unido, destacando o sucesso de seus esforços militares conjuntos.
Desta vez, entre os presentes trocados entre as autoridades na viagem, o rei Charles deu a Trump uma cópia emoldurada dos planos de design de 1879 para o Resolute Desk, escrivaninha que fica no Salão Oval, segundo um comunicado do Palácio de Buckingham. O móvel foi feito a partir do navio de exploração do Reino Unido H.M.S Resolute.
Já Trump deu ao rei uma cópia “personalizada de uma carta escrita por John Adams a John Jay em 1785”.
Depois do discurso no Congresso, os monarcas retornam para a Casa Branca para um jantar na noite desta terça-feira. Após a visita a Washington, os membros da realeza seguirão então para Nova York, onde devem homenagear os mortos nos ataques de 11 de setembro de 2001, antes do 25º aniversário da data, enquanto a rainha consorte Camilla também marcará o centenário das histórias infantis do Ursinho Pooh.
A viagem termina na Virgínia, onde o rei deve encontrar pessoas envolvidas em trabalhos de conservação ambiental, uma referência à sua campanha ambiental de décadas.




