Mulheres e meninas em al-Obeid, no Sudão, enfrentam ameaças de ataques com drones durante o dia e a violência sexual à noite, quando saem para buscar água na cidade sitiada, relatou a ONU Mulheres nesta sexta-feira (24).
O acesso a alimentos e cuidados de saúde é limitado em al-Obeid, capital do estado de Kordofan do Norte, onde o chefe de direitos humanos da ONU alertou este mês que uma catástrofe humanitária estava se desenrolando em meio à intensificação dos combates entre o Exército do Sudão e as Forças de Apoio Rápido (RSF), uma milícia paramilitar.
A guerra, agora em seu quarto ano, provocou uma das piores crises humanitárias do mundo —com relatos generalizados de violência sexual e outros abusos.
“Essas mulheres e meninas têm sofrido assédio. Elas foram estupradas e submetidas a outras formas de violência sexual, tudo isso enquanto tentavam ter acesso à água, uma das necessidades mais fundamentais da vida no que diz respeito aos direitos humanos”, disse Anna Mutavati, diretora regional da ONU Mulheres para a África Oriental e Austral.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que os civis em al-Obeid enfrentaram condições semelhantes a um cerco por 18 meses, com escassez crítica de água potável e ataques implacáveis de drones. Ele alertou para a possibilidade de uma repetição das atrocidades ocorridas em al-Fashir, no Darfur do Norte, no ano passado.
Não há momento seguro para mulheres e meninas buscarem água em al-Obeid, afirmou a ONU Mulheres, relatando que os ataques com drones durante o dia forçaram muitas a buscar água após o anoitecer, quando enfrentam assédio, estupro e outras formas de violência sexual.
Em todo o Sudão, estima-se que 12,7 milhões de mulheres e meninas precisem de apoio de serviços especializados em violência de gênero somente neste ano —um número quatro vezes maior desde o início da guerra, de acordo com dados da ONU Mulheres.
A agência não dispunha de dados detalhados para al-Obeid, mas destacou que há 500 mil pessoas na cidade, das quais cerca de 70% são mulheres e crianças, e afirmou que espera altos níveis de necessidade de apoio contra a violência sexual.
A agência afirmou que os cortes no financiamento a organizações lideradas por mulheres estão reduzindo a quantidade de apoio disponível, com dois terços das organizações de mulheres pesquisadas pela ONU Mulheres no Sudão relatando que espaços seguros e serviços de atendimento à violência de gênero foram fechados ou tiveram sua oferta significativamente reduzida.




