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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na terça-feira (2) que Cuba abriga instalações de inteligência a serviço de China e Rússia. A declaração ocorreu em audiência sobre o orçamento do Departamento de Estado no Senado.
“Sabemos que Cuba continua a hospedar uma coleção bastante substancial de bases de inteligência a serviço dos chineses e dos russos”, disse Rubio. Ele acrescentou que a cooperação é um exemplo da expansão chinesa no Ocidente que coloca a segurança nacional americana em risco.
O americano não apresentou evidências novas. Ele foi contestado por um senador que cobrou provas para a designação de Cuba como Estado patrocinador do terrorismo.
A fala repete conclusões divulgadas no ano passado pelo Center for Strategic and International Studies, com sede em Washington. Pesquisadores usaram imagens de satélite para identificar quatro supostas estações de espionagem eletrônica na ilha. Uma delas, perto da cidade de Bejucal, recebeu uma nova rede de antenas capaz de rastrear sinais de rádio no sudeste dos EUA.
Nos últimos anos, as autoridades americanas passaram a falar mais abertamente sobre o tema. Em 2023, o governo do então presidente democrata Joe Biden confirmou que a China operava um posto de inteligência em Cuba desde pelo menos 2019.
Pequim e Havana negam as acusações e dizem que a cooperação é legítima e não mira terceiros. O tema voltou a ganhar relevância em Washington nos últimos dias após o presidente Donald Trump aventar a possibilidade de derrubar a ditadura na ilha caribenha e até incorporar seu território aos Estados Unidos.
Além da questão cubana, a audiência também tratou da relação mais ampla entre EUA e China. Rubio falou em “irritantes significativos” e defendeu manter o diálogo para evitar escaladas, semanas após a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping.
Por que importa: a declaração é a primeira no nível de secretário de Estado de que os sítios cubanos servem à inteligência chinesa. Ela eleva o caso de relatório de think tank à posição oficial de Washington. Num conflito no Indo-Pacífico, esses postos dariam a Pequim vantagem para vigiar o deslocamento de forças americanas entre o Atlântico e o Pacífico. E ficam a poucas centenas de quilômetros do litoral dos EUA.
pare para ver
“O imperialismo americano deve sair da América Latina” (美帝国主义必须从拉丁美洲滚出去), de Yan Shanqi, 1965. A obra faz referência a Cuba, tratada como o caso-símbolo da América Latina que derrubou um regime apoiado pelos EUA, em 1959. A China de Mao buscava se alinhar a esses movimentos e se posicionar como líder do anti-imperialismo global.
o que também importa
★ A China expressou “firme oposição” à expulsão de um repórter da agência estatal Xinhua baseado nos EUA. Washington decidiu pelo cancelamento do visto do profissional (que não teve o nome revelado) após Pequim expulsar a repórter do The New York Times Vivian Wang, supostamente como retaliação pelo jornal americano ter entrevistado o líder de Taiwan Lai Ching-te. O porta-voz chinês Lin Jian disse que o governo americano está usando o princípio de reciprocidade para “perseguir politicamente um jornalista que atua legalmente no país”.
★ O chefe do Partido Comunista no condado de Qinyuan, na província chinesa de Shanxi, está sob investigação por suspeita de violações graves de disciplina e lei. A informação foi divulgada pela agência anticorrupção local nesta terça-feira. A apuração ocorre após um acidente em uma mina de carvão que matou ao menos 82 pessoas em maio, o mais letal na mineração chinesa desde 2009. Uma investigação encontrou túneis ocultos, desenhos falsificados e mineiros terceirizados e não registrados, sem rastreadores de localização exigidos. O governo central prometeu investigar as causas da tragédia.
★ Os senadores democratas Elizabeth Warren e Andy Kim prometeram que vão convocar o secretário de Comércio, Howard Lutnick, para depor no Congresso. O anúncio ocorre dias após o departamento que ele coordena anunciar orientação para fechar brecha que permitiria exportar processadores como os Blackwell, da Nvidia, a subsidiárias de empresas chinesas fora da China. Warren afirmou que a falha em atualizar controles de exportação pode ter alimentado capacidades militares chinesas e criticou o governo Trump. A Nvidia se manifestou dizendo que a medida não deve afetar significativamente seus negócios.
fique de olho
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou em novo relatório que subsídios estatais deram às empresas chinesas vantagem desleal sobre concorrentes estrangeiros em 15 setores industriais.
Segundo a base de dados MAGIC, da própria organização, esses setores receberam US$ 108 bilhões (cerca de R$ 540 bilhões) só em 2024. O documento informa ainda que empresas chinesas receberam em média de três a oito vezes mais apoio público que firmas de países da OCDE só de 2024 a 2025. Mesmo diante do número astronômico, a entidade classificou a estimativa como conservadora.
O valor também superou o suporte dado a empresas de economias fora do bloco, como Brasil, Índia e Indonésia. A OCDE considera subsídios diretos, isenções fiscais e empréstimos abaixo das taxas básicas.
Quase 60% dos ganhos de participação global de mercado das empresas chinesas decorrem desses subsídios, segundo o relatório. Em duas décadas, elas dominaram setores como painéis solares, construção naval e aço.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, comparou a prática ao doping no esporte. “Jogadores menos produtivos vencem de forma injusta às custas de rivais mais eficientes”, afirmou.
O levantamento abrangeu setores como os de defesa, semicondutores, automóveis, cimento, fertilizantes, máquinas pesadas, equipamentos de telecomunicações e turbinas eólicas. O apoio estatal global atingiu 1,3% da receita das empresas em 2024.
Por que importa: o relatório dá base técnica ao argumento dos EUA e da União Europeia sobre a sobrecapacidade chinesa, que justifica tarifas sobre carros elétricos, aço e painéis solares. Para o Brasil, que já aplica antidumping sobre produtos chineses, o estudo reforça a pressão de setores industriais por mais barreiras.
para ir a fundo
A Unicamp recebe nesta quarta (3) um concerto musical chinês. A apresentação acontece na Sala de Cinema da Casa do Lago (av. Érico Veríssimo, 1.011), às 15h, e faz parte das comemorações do Ano Cultural Brasil-China.
A ceramista chinesa (e naturalizada brasileira) Maria Cheung está expondo suas obras na galeria de arte da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Proex-UEPG). Inspirada nas raízes culturais de Cheung, a exposição está aberta a visitação até o dia 23 de junho com entrada gratuita. Ingressos aqui.




