
O vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Políticos declarou ao Conselho de Segurança, nesta terça-feira, que as tensões que abalaram o Oriente Médio nas últimas semanas “desviaram a atenção da situação nos Territórios Palestinos”.
Khaled Khiari, que acompanha as regiões do Oriente Médio, Europa, Américas e Ásia e Pacífico, disse que longe dos holofotes, a situação em Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, “vem se deteriorando de forma constante”.
Ele ressaltou que a população de Gaza enfrenta ataques israelenses contínuos e mortais, além de condições humanitárias “calamitosas”.
Já na Cisjordânia, a violência, o deslocamento forçado e a aceleração da atividade de assentamentos ameaçam comunidades inteiras e minam ainda mais as perspectivas de um processo político capaz de resolver o conflito.
O alto representante da ONU explicou que, em Gaza, “o cessar-fogo mostra-se cada vez mais frágil”, à medida que prosseguem os ataques israelenses e as atividades armadas do Hamas e de outros grupos.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o início do cessar-fogo, aproximadamente 800 palestinos, incluindo mais de 200 crianças e sete trabalhadores humanitários, foram mortos em ataques israelenses.
As Forças de Defesa de Israel declararam que seus ataques tiveram como alvo militantes e instalações do Hamas.
Khiari disse que apesar de múltiplos esforços diplomáticos, as negociações sobre o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados não resultaram, até o momento, em qualquer acordo, suscitando preocupações quanto a um possível retorno a violência generalizada.
De acordo com dados mais recentes, cerca de 1,8 milhão de pessoas, quase toda a população de Gaza, estão deslocadas e vivendo em acampamentos, dependendo de ajuda em meio ao fogo cruzado, infraestrutura devastada e riscos crescentes à saúde.
Khiari declarou que os planos devem ser acelerados com urgência, não apenas para a ajuda humanitária, mas também para a recuperação e reconstrução.
A diretora do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para o Mediterrâneo Oriental, Hanan Balkhy, afirmou estar “profundamente preocupada” com o que os profissionais de saúde e humanitários estão relatando nos locais de deslocamento em Gaza.
Uma avaliação rápida realizada em mais de 1,6 mil locais constatou que 80% apresentam presença frequente e visível de roedores e pragas, afetando 1,45 milhão de pessoas.
Mais de 80% relataram infecções cutâneas, incluindo sarna, piolhos e percevejos, com mais de 70 mil casos registrados este ano.
A representante da OMS afirmou que “esta é, infelizmente, a consequência previsível de um ambiente de vida em colapso”.
As famílias vivem em tendas superlotadas e abrigos improvisados, cercadas por lixo e escombros, com acesso limitado a água potável e serviços de saneamento.
Ela fez um apelo pela entrada de suprimentos laboratoriais em Gaza, pela remoção dos escombros e pela restauração dos sistemas de água e saneamento.
Quando você clica no botão "Aceito", você está concordando com os| Políticas de Privacidade | Seus dados serão tratados de acordo com as diretrizes estabelecidas no documento, garantindo sua privacidade e segurança online.
Fale conosco