A veterinária americana Jenna Wallace deixou na segunda-feira (20) a equipe de resgate da baleia-jubarte Timmy, encalhada no norte da Alemanha, apenas três dias depois de ter sido trazida do Havaí pelos empresários que financiam o grupo, em meio a fortes críticas a dois outros integrantes da iniciativa.
As acusações de Wallace são dirigidas particularmente contra o escritor Sergio Bambarén, vice-presidente da organização ambientalista Mundo Azul, e o influenciador Danny Hilse, que se apresenta nas redes sociais como Danny Firstclass.
Os dois homens colocam todo o foco em si mesmos e não no resgate do animal e estão, assim, colocando em risco toda a operação de resgate, afirmou a veterinária. “Os socorristas estão lutando com limitações severas. E há essas duas pessoas completamente ridículas nessa equipe e que absolutamente não deveriam estar lá”, disse Wallace em entrevista à emissora pública alemã NDR.
Veterinária: Influencer só atrapalhou o resgate
A baleia está encalhada na baía de Wismar, no mar Báltico, no norte da Alemanha. Após permanecer no mesmo local por três semanas, ela se soltou repentinamente na manhã desta segunda-feira (20), quando o nível da água subiu. Nesse momento, segundo o relato de Wallace, Bambarén e Hilse “destruíram a primeira chance real de liberdade da baleia bem diante dos meus olhos”.
Bambarén teria ordenado que os barcos esperassem e não se aproximassem no momento crucial, o que foi um erro, na opinião da veterinária. Com isso, segundo Wallace, a primeira pessoa a se aproximar do animal foi o influenciador Firstclass, que “se concentrou principalmente em conversar com a baleia —todo aquele negócio espiritual. Ele ficou mexendo no celular, filmando a si mesmo na maior parte do tempo”, disse a veterinária.
Numa postagem no Facebook, Wallace escreveu que Firstclass estava mais ocupado em se filmar e em seu “relacionamento” com a baleia-jubarte e que assim acabou fazendo o oposto do que o animal precisava.
Isso fez com que a baleia fosse repetidamente conduzida de volta para águas rasas e para a baía. A veterinária disse que Hilse “por um fio” não acertou a cauda do animal com a hélice do barco em que estava. Hilse teria ignorado as ordens dela para que se afastasse da baleia, e ela e o barco dela tiveram que repetidamente corrigir erros do influenciador, relatou a americana.
Sem responsabilidade por decisões erradas dos outros
Na postagem no Facebook, Wallace defendeu a saída imediata dos dois homens da equipe de resgate, que é uma iniciativa privada financiada por dois empresários. “Suspeito que, após minha saída, Bambarén e Hilse encontrarão novamente maneiras de se opor às decisões da equipe, ignorar instruções e agir como os líderes dominantes”, afirmou.
Ela justificou sua saída afirmando que não estava disposta a assumir responsabilidade por decisões erradas. Wallace disse ter ficado sabendo pela imprensa que poderia enfrentar acusações criminais e correr o risco de perder sua licença veterinária nos Estados Unidos. “Tive que escolher: arriscar meu emprego, meu sustento, ou ficar com Timmy.”
Porta-voz renuncia e volta atrás
A porta-voz da equipe, Christiane Freifrau von Gregory, que participa desde o início da tentativa de resgate da baleia, também anunciou sua saída na manhã desta terça-feira (21). “Nosso objetivo era a implementação profissional e tranquila do conceito que protege tanto humanos quanto animais“, declarou.
Os desdobramentos e a dinâmica atuais não correspondem mais aos valores e padrões fundamentais que ela e a equipe defendem. Gregory falou em diferenças internas, mas não deu detalhes nem nomes. À tarde, porém, ela voltou atrás e disse que ficaria na equipe, pois todas as diferenças teriam sido resolvidas.
Na manhã de terça-feira, o secretário do Meio Ambiente do estado de Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, expressou sua preocupação com as mudanças na equipe de resgate. Ele disse que a secretaria permanece em contato consultivo com Wallace, que confirmou a informação.
Backhaus disse ainda ter sido informado da saída da veterinária-chefe, Janine Bahr van Gemmert, por motivos de saúde, o que segundo ele reduz significativamente a expertise da equipe.
Nesta quarta-feira, Backhaus comunicou que a equipe de resgate colocou um rastreador nas costas do animal.




